
Por que importa: A gestora AZ Quest decidiu apostar no mercado brasileiro de data centers com uma oferta pública de até R$ 482 milhões. O principal ativo da operação está em Fortaleza, cidade considerada uma das portas de entrada da internet no Brasil e peça estratégica para a expansão da infraestrutura de inteligência artificial e computação em nuvem. A informação foi originalmente publicada pelo Neofeed.
O negócio
A AZ Quest está estruturando o fundo imobiliário AZ Quest Panorama Data Centers, que pretende captar até R$ 482 milhões.
Os recursos serão destinados à aquisição de quatro ativos atualmente pertencentes à Scala Data Centers.
Após a compra, será firmado um contrato de sale and leaseback, modelo em que a Scala vende os imóveis, recebe os recursos e continua operando as instalações como locatária por dez anos.
Fortaleza é o principal ativo
O empreendimento localizado em Fortaleza, juntamente com sua subestação elétrica, representa aproximadamente 60% do valor econômico da operação.
Além do ativo cearense, o fundo pretende adquirir duas subestações da Scala localizadas em:
- Tamboré (SP);
- Jundiaí (SP).
O data center instalado na Praia do Futuro ocupa posição estratégica por estar próximo da chegada da maior parte dos cabos submarinos de fibra óptica que conectam o Brasil ao restante do mundo, fator que reforça a importância da capital cearense como hub digital internacional.
Como funcionará o investimento
O fundo terá prazo inicial de 10 anos, podendo ser prorrogado por mais 18 meses.
O contrato prevê que a Scala poderá recomprar os ativos em três momentos distintos:
- após 36 meses;
- após 72 meses;
- ao final do contrato.
Os valores de recompra variam conforme o período, incluindo prêmios nas primeiras janelas previstas.
Segundo o prospecto, caso a captação alcance o volume máximo, a expectativa é de uma rentabilidade líquida equivalente a IPCA + 9,5% ao ano, considerando a recompra no vencimento do contrato.
Mercado vive ciclo de expansão
A operação ocorre em um momento de forte crescimento da indústria de data centers.
O avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização dos serviços elevou significativamente a demanda por infraestrutura tecnológica em todo o mundo.
Nesse cenário, o Brasil reúne vantagens competitivas como:
- elevada disponibilidade de energia renovável;
- expansão da infraestrutura digital;
- localização estratégica para conexões internacionais;
- crescente interesse das grandes empresas globais de tecnologia.
O potencial do setor
Estimativas da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) indicam que os investimentos no setor podem alcançar R$ 500 bilhões até 2030.
A capacidade instalada deverá saltar de aproximadamente 730 MW para 3,2 GW, impulsionada principalmente pelos projetos voltados à inteligência artificial.
Cronograma
A oferta seguirá o seguinte calendário:
- início da coleta de intenções: 3 de julho;
- encerramento: 31 de julho;
- liquidação financeira prevista: 5 de agosto.
A distribuição será coordenada pela XP Investimentos, enquanto o Banco Daycoval atuará como administrador do fundo.
Entrelinhas
Mais do que um investimento imobiliário, a operação reforça a crescente relevância de Fortaleza na economia digital. A cidade deixa de ser apenas um ponto estratégico para cabos submarinos e passa a ocupar posição central na infraestrutura que sustentará inteligência artificial, computação em nuvem e processamento de dados na América Latina. A escolha do ativo cearense como principal componente do fundo evidencia que a disputa pelo protagonismo tecnológico também passa pelo Nordeste brasileiro.






