Em nome do pai e do filho. Amém!

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A vinda do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Fortaleza na sexta que passou (10/07) cumpriu, irrestritamente, o anúncio feito um mês antes (nas redes sociais e em declarações à imprensa): o “anúncio da pré-candidatura ao Senado de Alcides Fernandes“.

O evento era de André Fernandes e de seu, Alcides, e contou com a presença do “Zero Um” para legitimar a liderança do deputado federal frente ao bolsonarismo local.

Antes do evento iniciar podiam-se ouvir jingles de Bolsonaro (sim, apenas falando em “Bolsonaro”, não em Flávio) e de André – que repetia, a todo o tempo, uma interpelação: “chama o André!“).

No telão acima do palco, era a imagem de Flávio e do pai e do filho que apareciam a todo momento, inclusive quando da apresentação dos nomes que concorrerão à Assembleia e à Câmara Federal, os rostos destes eram apresentados ao lado do pai e do filho.

Todos os oradores – Bella Carmelo, Silvana Pereira, Rogério Marinho, André e Flávio – ressaltaram a importância do ato “em favor de Alcides“.

André, inclusive, vestia uma blusa com a frase: “filho do Alcides“.

O jovem deputado releu a declaração de Cid Gomes sobre seu pai (“é apenas pai do André“) e “fez do limão, uma limonada”: ele é, de fato, “pai do André” e André é “filho do Alcides“. Um bommote para sua campanha.

Chegou, em dado momento, a arrematar: “toda a turma aqui aceitou ele como senador“, o que pareceu um bom contraponto à obrigatoriedade da foto com todo mundo no palco de Eduardo Girão, em novembro passado, sob a polêmica e incômoda ordem de Michelle Bolsonaro.

Quem esteve no local observou uma considerável equipe de marketing a todo momento colhendo imagens do evento; aliás, duas equipes distintas – crachás em que se liam “André Fernandes” e “Alcides Fernandes”.

Os que ali estavam com vistas a terem seus nomes chancelados nas convenções que se aproximam (inclusives veteranos, como Moroni Torgan) estavam para serem vistos na foto dos apoiadores de Alcides – com a reeleição quase certa do filho, será hora de trabalhar pela vitória do pai.

E nessa vitória entre em cena a votação a ser dada a Ciro Gomes. Daí a reação virulenta, incitada inclusive pelo filho, aos bolsonaristas que ali protestavam contra a aliança com o tucano. Os “petistas infiltrados” deveriam ser tidos com despreza, disse o filho; mas a horda reagiu mesmo foi com truculência contra os “irmãos de fé“.

Do lado de fora, bandeiras do Brasil mescladas com as dos EUA, na reverência ao Deus Trump; outras, mescladas às de Israel.

Lá do velho mundo, a deputada Priscila Costa, viajando “em missão” dada por Flávio, evitou certos constrangimentos que teria ali, no evento do “pai e do filho”.

Flávio veio ao Ceará “em nome do pai e do filho“.

Mandatos parlamentares serão disputados “em nome do pai e do filho“.

O apoio a Ciro Gomes será dado “em nome do pai e do filho“.

Priscila Costa é posta de lado “em nome do pai e do filho“.

São os passos iniciais da formação de uma nova família a se perpetuar no poder, em diversos espaços.

Em nome do pai e do filho. Amém!

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