Da democracia analógica à democracia digital; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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Da praça de Agora às Redes Sociais

Do animal-totem à eucaristia

Da Oralidade à Escrita

Da democracia analógica à democracia eletrônica

Do Download ao Delete: a transcrição e a exclusão

Da lacração à demonização do “outro”

Da metáfora do “Povo de Deus”, conduzido por Moisés na longa marcha na busca da Terra Prometida, à imagem do “proletariado”, vai um longo caminho tecido pelas razões da fé e pela ideologia.

É verdade que a fé já não goza mais do poder de conversão e convencimento de outros tempos. A palavra dos dogmas perdeu o tom corrente das investidas heróicas das Cruzadas e na Inquisição.

Já a ideologia empunha armas mais poderosas; conta, inclusive, com um aliado poderoso, a ignorância do “povo-eleitor”. Pouco mudou em muitas regiões do mundo na passagem do absolutismo para formas alternativas de constitucionalismo, da monarquia aos marcos republicanos fundadores. Em muitos casos, o povo continuou “povo”, privado dos direitos essenciais , contribuinte das burras do Estado, sem influência quase nenhuma sobre os poderes do Estado e os mecanismos de governo.

No roteiro em epígrafe, mostra-se o cenário simplificado, beirando um certo reducionismo exagerado, de uma heróica caminhada civilizacional. E, nela, a figuração da democracia, dos “pais-fundadores”, à democracia “relativa”, produto da criatividade brasileira.

O problema maior da democracia como inspiração e bússola da governabilidade está em um ponto crucial, como um “nó górdio” à espera da “espada de Dâmocles”.

O “governo de todos, para todos” pressupõe, entretanto, um nível razoável de consciência política, suporte insubstituível da cidadania. O que vale dizer, ao definir-se a categorização de “povo”, que a cidadania constitui atributo politico essencial fundamentado na educação e nas suas condições essenciais de vida.

Uma democracia ou o que possa corresponder à imagem
que dela construimos no nosso imaginário ideológico, é, obviamente, desde os seus primórdios, como concepção e conceito, um cojunto que compreende territorio, Estado e povo.

A participacão crescente do “fator povo” sobre os vastos domínios da autoridade do Estado, advindos com a Revolução francesa, realizou-se, em casos notórios verificados em regiões do “Terceiro Mundo”, com uma vasta população incapaz de fazer bom uso da “democracia” e dos bens da Liberdade. A privação destas conquistas trazidas com o espírito republicano alcançou boa parte do mundo situado fora da Europa renascentista e da descoberta da América.

O arbítrio, o autoritarismo e as ditaduras têm o feitio da perda e da fragilização das relações que servem de esteio às democracias.

Em alguns casos, dá-se pela ruptura de laços “manu militari” próprios ao equilibrio das instituições. Em outros casos, resultam de um progressivo avanço do esgarçamento do modelo político e do equilíbrio das instituições e das relações de poder na sociedade.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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