
Da praça de Agora às Redes Sociais
Do animal-totem à eucaristia
Da Oralidade à Escrita
Da democracia analógica à democracia eletrônica
Do Download ao Delete: a transcrição e a exclusão
Da lacração à demonização do “outro”
Da metáfora do “Povo de Deus”, conduzido por Moisés na longa marcha na busca da Terra Prometida, à imagem do “proletariado”, vai um longo caminho tecido pelas razões da fé e pela ideologia.
É verdade que a fé já não goza mais do poder de conversão e convencimento de outros tempos. A palavra dos dogmas perdeu o tom corrente das investidas heróicas das Cruzadas e na Inquisição.
Já a ideologia empunha armas mais poderosas; conta, inclusive, com um aliado poderoso, a ignorância do “povo-eleitor”. Pouco mudou em muitas regiões do mundo na passagem do absolutismo para formas alternativas de constitucionalismo, da monarquia aos marcos republicanos fundadores. Em muitos casos, o povo continuou “povo”, privado dos direitos essenciais , contribuinte das burras do Estado, sem influência quase nenhuma sobre os poderes do Estado e os mecanismos de governo.
No roteiro em epígrafe, mostra-se o cenário simplificado, beirando um certo reducionismo exagerado, de uma heróica caminhada civilizacional. E, nela, a figuração da democracia, dos “pais-fundadores”, à democracia “relativa”, produto da criatividade brasileira.
O problema maior da democracia como inspiração e bússola da governabilidade está em um ponto crucial, como um “nó górdio” à espera da “espada de Dâmocles”.
O “governo de todos, para todos” pressupõe, entretanto, um nível razoável de consciência política, suporte insubstituível da cidadania. O que vale dizer, ao definir-se a categorização de “povo”, que a cidadania constitui atributo politico essencial fundamentado na educação e nas suas condições essenciais de vida.
Uma democracia ou o que possa corresponder à imagem
que dela construimos no nosso imaginário ideológico, é, obviamente, desde os seus primórdios, como concepção e conceito, um cojunto que compreende territorio, Estado e povo.
A participacão crescente do “fator povo” sobre os vastos domínios da autoridade do Estado, advindos com a Revolução francesa, realizou-se, em casos notórios verificados em regiões do “Terceiro Mundo”, com uma vasta população incapaz de fazer bom uso da “democracia” e dos bens da Liberdade. A privação destas conquistas trazidas com o espírito republicano alcançou boa parte do mundo situado fora da Europa renascentista e da descoberta da América.
O arbítrio, o autoritarismo e as ditaduras têm o feitio da perda e da fragilização das relações que servem de esteio às democracias.
Em alguns casos, dá-se pela ruptura de laços “manu militari” próprios ao equilibrio das instituições. Em outros casos, resultam de um progressivo avanço do esgarçamento do modelo político e do equilíbrio das instituições e das relações de poder na sociedade.








