Refundação de coisa feita e de um elo perdido; Por Paulo Elpídio

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“Esquerda” e “Direita” são expressões que perderam o sentido topográfico da sua origem na Assembleia e na Convenção francesas. Não têm utilidade prática, sequer como metáfora.

Insistir nessa dualidade inútil, emprestando-lhe força e poder político e ideológico, é tempo perdido. O selo pega bem e se mantém em estruturas consolidadas da democracia dos tempos de Montesquieu. Perdeu, entretanto, a expressão de origem.

A polarização política na qual se acomodam as sociedades abertas, movidas a voz e a voto, reside em uma questão essencial: a da Liberdade. Da livre expressão, da pluralidade de opinião, da representação e do mandato. Como imaginar que a economia possa estar distante desse processo de organização da sobrevivência?

Que não seja uma “Frente”, “Front”, posto que termo gasto pelo uso indevido. Porém, que lembre luta e determinação.

Direita e Esquerda são velhos substantivos com um passado de más lembranças: o Holodomor, da morte por inanição provocada pelos bolcheviques, à esquerda. Os “pogroms” e o Holocausto, à direita. Lenin e Trotsky e os sovietes; Goebbels e Himmler e o nazismo. Mussolini e Hitler; Lenin e Stalin…

Palavras assumem o formato das ideias que designam, ainda que a semântica possa mudar-lhes a graça.

Nos países periféricos, na América Latina e mundo afora, a distribuição da riqueza e de oportunidades é parte de uma luta perseverante, sem quartéis, em defesa da liberdade e da democracia.

Seria possível, em alguns casos de maior gravidade, referir-se a um processo de refundação constitucional, e não a uma mera reconstrução de coisa feita, de um elo perdido.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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