
A área ocupada por favelas cresceu 152% no Brasil entre 1985 e 2025, avanço superior ao registrado pela área urbanizada do país, que aumentou 132% no mesmo período. Os dados são de levantamento do MapBiomas, que monitora as transformações no uso da terra com a participação de universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia.
Segundo o estudo, os territórios ocupados por favelas passaram de 60,2 mil hectares, em 1985, para 151,7 mil hectares, em 2025. Já a área urbanizada brasileira aumentou de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares, ocupando atualmente 0,5% do território nacional. No início da série histórica, essa proporção era de 0,2%.
Favelas perderam vegetação proporcionalmente
O crescimento das comunidades também alterou a relação entre moradias e áreas verdes. Em 1985, as favelas tinham 43% mais vegetação por hectare do que as demais áreas urbanas. Em 2025, porém, a disponibilidade de vegetação por hectare nesses territórios era 15% menor.
O levantamento aponta que a vegetação dentro das favelas também cresceu, mas em ritmo inferior ao da expansão das construções. Com isso, a quantidade de verde por hectare urbanizado caiu cerca de um terço. Nas demais áreas urbanas, o indicador aumentou aproximadamente 10%.
Norte concentra maior proporção de favelas
As comunidades estão distribuídas por 651 municípios brasileiros, com diferenças expressivas entre as regiões. O Norte concentra 27,9% da área ocupada por favelas no país, embora reúna apenas 9,4% de toda a área urbanizada nacional.
Manaus lidera em extensão territorial de favelas, com 10,5 mil hectares distribuídos em 235 comunidades. São Paulo, apesar de registrar 1.359 favelas, tem uma área ocupada menor, de aproximadamente 6 mil hectares.
Expansão avança sobre áreas naturais e de risco
O estudo também identificou diferenças na origem dos terrenos ocupados. Nas favelas, 54% da expansão ocorreu sobre áreas naturais. Na urbanização brasileira em geral, a principal origem foi a pastagem, responsável por 38% do avanço.
Em números absolutos, entretanto, a conversão de vegetação natural em áreas urbanizadas foi 17,5 vezes maior fora das favelas: 866,8 mil hectares, contra 49,5 mil hectares nessas comunidades.
Outro ponto identificado foi o avanço da ocupação em terrenos suscetíveis a desastres. A área urbanizada em favelas localizadas em zonas de suscetibilidade muito alta a inundações mais que dobrou. Nas áreas com risco muito alto de deslizamentos, o crescimento foi de 12%. Os indicadores representam características dos terrenos, não a quantidade de desastres registrados.
Vegetação reduz intensidade de ilhas de calor
O levantamento também analisou a relação entre cobertura vegetal e temperatura nas cidades. Durante o verão, setores urbanos com até 10% de vegetação apresentam intensidade média de ilhas de calor de 5°C. Em áreas com 80% de cobertura vegetal, a diferença cai para 1,1°C, conforme as medições de temperatura da superfície do solo.
Além disso, a área com luz artificial noturna detectável por satélite cresceu 37% no Brasil entre 2013 e 2025, acréscimo de 1,7 milhão de hectares. O Sudeste concentra 40% da área iluminada mapeada, enquanto Mato Grosso registrou o maior crescimento proporcional, de 97%.
Segundo o MapBiomas, os dados permitem analisar mudanças na ocupação do território e seus impactos ambientais, além de identificar regiões onde a arborização e a ampliação de áreas verdes são necessárias.






