Geopolítica e Geoeconomia: as novas disputas globais

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Igor Macedo de Lucena é economista e Empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor WydenFellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International AffairsMembre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales

Por Igor Macedo de Lucena*
A geopolítica é definida de maneira clássica como o estudo do efeito da geografia física e humana na política e nas relações entre as nações. O desenvolvimento da geopolítica nos séculos XIX e XX, por parte de grandes estrategistas como o Almirante americano Alfred T. Mahan, o inglês Sir Halford John Mackinder (um dos fundadores da prestigiosa London School of Economics) e o General italiano Giulio Douhet, transformou-a em um grande campo de estudo das estratégias de poder dos Estados.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a queda da União Soviética e a descolonização dos territórios ultramarinos das nações europeias, as disputas por zonas de influência ao redor do planeta passaram a ser exercidas de outra maneira e começaram a ser bem mais sutis e entrelaçadas com o desenvolvimento da Ordem Liberal Internacional e do capitalismo.  É neste cenário que surge a geoeconomia, o estudo dos aspectos políticos da economia e do uso de recursos naturais. Ela também pode ser entendida como o uso de instrumentos econômicos por parte dos Estados para alcançar objetivos políticos.
Em um mundo onde guerras trazem mais custos do que benefícios, geram aumento da dívida pública e, em muitos casos, derrubam governos, os Estados procuram expandir seu poder por vias econômicas e financeiras. Nos últimos anos, tanto nações liberais ocidentais quanto nações iliberais vem desenvolvendo diversos instrumentos públicos e privados para expandir a força de suas nações.
O primeiro e mais clássico instrumento são as Multinational Corporations (MNC) na qual os Estados nacionais são acionistas ou possuem políticas claras de expansão dos seus campeões nacionais, entretanto as empresas possuem administrações independentes. Na Europa encontramos a Airbus (Espanha), a Volkswagen (Alemanha), a Renault (França). Na Ásia encontramos a Hyundai e a Kia (Coréia do Sul), a Narita International e a Sumimoto (Japão) e a Saic Motors e a Geely (China). Na América Latina temos a Embraer e a Vale (Brasil) e a Ecopetrol e a Avianca (Colômbia). Nos Estados Unidos se encontram a General Motors e a Ford como maiores exemplos.
O segundo instrumento são as State Owned Enterprises (SOE), empresas controladas majoritariamente pelos Estados, que muitas vezes são subsidiadas e que a ingerência política é direta. Alguns exemplos são a Gazprom e a Rosneft (Rússia), o Bank of China e a State Grid (China), a Petronas (Malásia), e o ABN AMRO (Holanda).
O terceiro e mais importante instrumento são os Sovereign Wealth Funds (SWF), fundos estatais bilionários que procuram comprar participações em empresas privadas estratégicas e consórcios em projetos de tecnologia e infraestrutura ao redor do planeta. Os principais fundos são o Government Pension Fund da Noruega, a China Investment Corporation, o Kwait Investment Authority, o GIC Private Limited of Singapore, o Bpifrance, e o Abu Dhabi Investment Authority. Em 2018 os SWFs já acumulavam um patrimônio de 7,8 trilhões de dólares em todos os continentes.
O objetivo de todos esses instrumentos é claro e direto, expandir mercados consumidores, extrair recursos naturais e desenvolver negócios no estrangeiro, ampliando a influência dessas empresas e consequentemente ampliando o poder econômico dos seus Estados de origem.
É neste cenário e com essas armas, não mais com tanques e mísseis, que os países disputam entre si, dentro de um cenário de concorrência cada vez mais acirrada e onde a estratégia nacional se torna um asset cada vez mais valioso.
*Igor Macedo de Lucena é o mais novo articulista do Focus. Seus artigos serão semanais, a partir de agora, sempre às segundas-feiras.
 

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