Bolsonaro é o efeito colateral do desastre da esquerda

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
Acompanho a política brasileira desde a segunda metade da década  de 1970. Com pouco mais de dez anos, já era assíduo no noticiário. Passei a acompanhar com um olhar, digamos, mais cuidadoso ao ingressar na faculdade de economia da UFC, em 1984. Ano de mudanças políticas importantes no País. Em 1987, fiz novamente o vestibular. Dessa vez, para Comunicação, também na UFC.
Ingressei no jornal O Povo em 1992. De cara, na editoria de política. Foi o início de uma relação profissional com a política (a análise) que pressupunha contatos pessoais com os protagonistas.
A introdução é a base para dizer o seguinte: jamais havia ouvido algo tão vil partindo da boca de um personagem de ponta da política brasileira. Refiro-me ao deplorável comentário do presidente da República a respeito de Fernando Santa Cruz, um desaparecido político de 1974, aos 26 anos de idade. Um jovem estudante de direito e funcionário público que havia feito a opção por, ao seu modo, opor-se à ditadura militar (até onde se saiba, não chegou a pegar em armas).
Jair Bolsonaro disse a baixeza que disse incomodado com a postura do filho de Fernando. No caso, o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz. O presidente da República buscou atingi-lo praticando uma espécie de tortura psicológica ao fuçar a memória do pai de Felipe no lixo dos porões do Estado que massacrava presos e, em muitos casos, matava-os, como oficialmente admitido  no caso de Fernando.
A abominável atitude é o oposto do que se espera de um presidente da República.
Infelizmente, trata-se de um método. Dividir, gerar divergências e estabelecer um inimigo central responsabilizando-os por todos os males é prática já bem conhecida entre nós.
O lulo-petismo fez isso: pobres contra ricos, sendo que o PSDB era a “direita” que representava os interesses da elite financeira e empresarial. Enquanto isso, sombrias combinações destruíam e surrupiavam tanto as estruturas  estatais quando corroíam a democracia.
Agora, Bolsonaro busca faz o mesmo com a esquerda. É claro que o método é despudorado. Há muitos seguidores e as redes sociais como linhas auxiliares para reforçar esse discurso que, obviamente, não é nada bom para o País.
O que se espera de um líder, o maior deles no País, é que inverta a lógica destruidora e divisora que prepondera nas redes sociais. O que se espera de um presidente da República é a civilidade.
Sim, civilidade é a melhor resposta ao passado recente que imperou no País. Digo isso com a vivência de quem, durante o ciclo petista, apontou os pecados de então quando a imensa maioria se calava diante do “gigante que acordava”.
Porém, não é uma boa ideia esperar civilidade e grandeza de Jair Bolsonaro. Afinal, chegou à Presidência sendo exatamente o oposto em sua longa trajetória de honorável baixo clero da Câmara dos Deputados.
Bolsonaro nada mais é do que um efeito colateral do desastre da esquerda brasileira.
O que nos resta é esperar que os de bom senso pratiquem a política de diminuição de danos, que a maioria não embarque no método e que a economia conceda as respostas que o País tanto precisa.

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