A caneta de Bolsonaro e a reitoria da UFC, por Marcelo Salgado

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Marcelo Sidrião F. Salgado. Cientista Politico e Especialista em Psicologia Jurídica. Consultor de Empresas e Professor da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Escreve mensalmente no Focus.jor.

Por Marcelo Sidrião F. Salgado
Post convidado
O mundo político viu com muita naturalidade a nomeação do professor e advogado José Cândido Lustosa Bittencourt de Albuquerque para reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC),  em 19\08\2019. O Presidente da República, nomeou o novo Reitor da UFC no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso XXV, da Constituição Federal de 1988, e tendo em vista o disposto no art. 16, caput, inciso I, da Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968.   A recente nomeação de Cândido Albuquerque como Reitor da UFC foi perfeitamente legítima e legal. Sim, ele foi o último colocado na consulta à comunidade universitária, mas a regra eleitoral é clara.  Consulta à comunidade universitária não é eleição é sondagem.
De fato, o que aconteceu na UFC recentemente foi uma sondagem de   nomes quanto ao cargo de reitor junto a professores, funcionários e alunos sem efeitos vinculantes. Percebeu-se que esse tipo de consulta pública serve mais para produzir cizânias políticas internas ao invés de buscar um gestor competente para a universidade. O mandato é de quatro anos. Cândido Albuquerque é Doutor em Educação Brasileira, foi presidente da OAB-CE e Diretor da Faculdade de Direito da UFC. O processo decisório de um presidente da república é algo muito complexo e não está adstrito a sondagens de opiniões ou consultas à comunidade universitária, nem aqui e nem alhures.
Não existiria candidatura a reitor de Albuquerque se Fernando Haddad (PT) fosse o vencedor do pleito presidencial em 2018. Neste contexto hipotético ele não teria chance alguma. Nossas universidades estão tomadas pela esquerda. O problema é grave e profundo. Na medida em que o Partido dos Trabalhadores (PT) foi se tornando um partido de governo, outros partidos de esquerda, à margem do poder, como o PC do B, o PSTU , PSOL, e Rede Sustentabilidade passaram a dividir com os petistas o protagonismo  do movimento estudantil, enquanto os sindicatos docentes, especialmente das universidades públicas federais e estaduais, continuaram a ser dominados por petistas de carteirinha.
Tornou-se quase impossível ser um liberal e ao mesmo tempo professor de filosofia, sociologia, psicologia, antropologia ou pedagogia nas universidades públicas brasileiras nos últimos tempos. Há uma incansável doutrinação por parte de alguns professores marxistas-gramscianos. Essa doutrinação ideológica é um atentado à academia que se vê despojada de sua mais profunda missão. Urge resgatar o pluralismo, a meritocracia, gestão de resultados, o empreendedorismo e a liberdade de pensamento em nossas universidades públicas.
A questão não é somente ideológica, é também econômica. Os esquerdistas  se uniam em torno de ideias teoricamente libertárias, mas por trás disso  havia um joguinho de poder que englobava  muitas sinecuras como por exemplo:  Nos editais de concursos para professor, nas viagens ao exterior, nos pequenos cargos com acréscimo salarial, nas promoções, nas bolsas de mestrado e doutorado, nos centros acadêmicos, monitorias  e estágios. A intelectualidade acadêmica de esquerda no Brasil se acostumou a dominar a cena e não ser questionada. Agora a coisa esta mudando de rumo. Apenas a liberdade de pensamento estimula o aprimoramento. Sempre indico aos meus diletos alunos(as) a leitura do livro de Norberto Bobbio “Nem com Marx, nem contra Marx”. O objetivo sempre é fazê-los pensar fora da caixa, abrir suas mentes e corações.
O trabalho de desaparelhamento do Estado brasileiro apenas começou.  O governo Bolsonaro paulatinamente pretende “despetizar” tudo: Ministérios, empresas estatais e para-estatais, bancos públicos, ONGs, Correios, conselhos profissionais, Ministério Público, Eletrobras, sistema “S”, Polícia Federal, judiciário, Petrobras, universidades públicas federais e estaduais. O aparelhamento do Estado Federal por militantes é talvez o maior câncer deixado pelo PT. E olha que a metástase é gigantesca. Quem entende o conceito grego de república tem que sentir náuseas com a partidarização da coisa pública (res publica). É da essência da democracia que o partido vitorioso nas eleições e seus aliados ocupem os cargos mais importantes de direção do governo. A isso, quando os governos mudam, se chama alternância de poder.
O problema é que existe na administração pública brasileira, o excesso de funcionários comissionados em relação aos funcionários de carreira. A vida intelectual e a burocracia universitária no Brasil ainda formam uma grande caixa-preta para o cidadão pagador de impostos que financia o ensino público superior. É preciso urgentemente devassá-las. Tem que “despetizar” tudo, mesmo. O professor Cândido Albuquerque é uma “disruptura” em relação ao grupo que comandava a UFC há 12 anos. O cargo de Reitor de Universidade Federal do Ceara é estratégico. O reitor tem que estar em sintonia com a atual política educacional do Ministério da Educação. Repercutiu positivamente e muito além dos muros universitários e jurídicos a nomeação do novo Reitor da UFC.
A comunicação da nova gestão com a sociedade e diversos setores que formam a UFC, obrigatoriamente deverá ser impecável.
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