Murmúrios de um democrata em tempos de tentação totalitária, por Ricardo Alcântara

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Ricardo Alcântara é publicitário e escritor.

Pesquisa recente indicou que a aprovação do ministro Sérgio Moro é o dobro da alcançada pelo seu chefe, Bolsonaro. No caso do ex-juiz, o índice elevado não é só um julgamento objetivo de sua ação à frente da pasta, mas, sobretudo, o prestígio acumulado como emblema da operação Lava Jato.
Moro assiste à desidratação crescente de seu poder dentro do governo e é alvo frequente de acusações com base nos conteúdos vazados pelo The Intercept, um processo de corrosão que já perdura por meses. Apesar de tudo, a julgar pelo que revelam os números, sua popularidade é resistente.
Seu vasto acervo de inimigos – políticos de todas as colorações, influencers pré-pagos e até membros assustados do Supremo Tribunal – terá que aumentar a dose de criptonita, se o quiserem silenciar. A que se deve o fenômeno? A resposta é simples, mas conduz a reflexões necessárias.
Moro tem com seu principal réu, Lula da Silva, isto em comum: ambos, mesmo com todos os revezes, têm, para amplas parcelas da população, uma reserva de crédito tão robusta que seus simpatizantes desenvolveram uma barreira cognitiva e ela suspende toda possibilidade de crítica.
A razão disso? Ambos fizeram algo inédito. Cada um, na sua esfera de atuação, mexeu nas raízes calcificadas da sociedade excludente: Lula mostrou aos pobres que sua condição não é uma fatalidade, pode ser superada; Moro mandou prender gente branca, botou milionários para limparem as latrinas de suas celas.
Por terem rompido comportas já enferrujadas, seus simpatizantes aceitam fazer vista grossa para os erros de um e outro (de proporções diferentes, por certo) pelo receio de que a demolição dos personagens possa também representar a impossibilidade objetiva de levar adiante aquilo que cada um deles iniciou.
As contradições de ambos demonstram uma antiga verdade republicana: nenhum mito pode substituir o protagonismo da sociedade na defesa dos seus interesses. Menores, claro, do que as causas que abraçaram, são super-homens apenas nas figuras pitorescas dos bonecos infláveis dos atos públicos.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

MAIS LIDAS DO DIA

Ceará registra maior crescimento da votação bolsonarista no Nordeste desde 2018

Bancada feminina no Congresso será a maior da história

Uece lidera indicadores de ensino e pesquisa entre estaduais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste

Bets começam a sair do ar nesta terça-feira após proibição de operações no Brasil

Professor. Foto: Divulgação/Governo do Estado

Ceará tem melhor avaliação da rede pública de ensino entre estados, aponta pesquisa

Emplacamentos de veículos batem recorde para setembro, com 509,7 mil unidades

A sede de mudança; Por Assis de Mesquita Ciríaco

Lavareda vê “ilusão de ótica” no 1º turno: Lula perdeu para a abstenção

Ciro Gomes não reconhece derrota e acusa: “Fomos roubados”