Goste-se ou não, Bolsonaro fez discurso histórico na ONU

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
Goste-se ou não do conteúdo, o discurso de Jair Bolsonaro na abertura dos trabalhos da ONU foi histórico. A tradição diz que, anualmente, o Brasil abre a Assembleia Geral da Organização. Pela primeira vez, a fala de um presidente brasileiro não foi inodora e muito menos indolor. Bolsonaro se fez Bolsonaro em sua inteireza. Foi absolutamente leal aos seus princípios (repito: goste-se ou não deles).
O presidente reproduziu na ONU a fala que cativou uma boa parte do eleitorado de 2018. Ou seja, usou de sua ideologia para combater as ideologias as  quais não tolera. É curioso: Bolsonaro usa a ideologia para dizer que limpou o Brasil de ideologias.
Estávamos acostumados a aplausos protocolares. Para Bolsonaro, aplausos para “descompromissados discursos”. Dessa vez, vimos uma platéia atenta e curiosa com o que ouvia.
A plateia, firmada pela nata da diplomacia mundial, ouviu um presidente atacar “falácias da mídia” sobre a Amazônia. Ouviu um presidente dizer que estava ali após anos a fio de “antecessores socialistas” que desviaram  milhões de dólares para “comprar” parte da mídia e do parlamento brasileiro.
Ouvimos um presidente citando e elegendo outros líderes indígenas do Brasil para dizer que “acabou o monopólio de seu Raoni”, numa referência ao internacionalizado e comemorado cacique da etnia Caiapó.
O presidente pregou o empreendedorismo para a Região Amazônica. É como uma facada no fígado dos influentes que veem a floresta como um santuário a ser intocado. “Nossos nativos são seres humanos”, disse acusando organizações não governamentais de tratarem os indígenas como “homens das cavernas”.
Ouviram um presidente do Brasil dizer que, com uma mão da mídia e outra do “socialismo”, a “ideologia invadiu nossos lares para investir contra a célula mater, a família”. Como uma ideologia invade nossos lares? Claro que foi uma referência à programação das TVs.
Antes de citar versículos da bíblia e finalizar seu discurso, Bolsonaro pediu à ONU para “ajudar a destruir o ambiente materialista e ideológico”. Do que se trata isso? Ora, materialismo é um dos fundamentos do comunismo, essa irrelevância ideológica que o mundo não acatou.
Vamos sentir a repercussão pelo mundo. Certamente, Bolsonaro reafirmou em muitos espectadores as piores impressões. Porém, entendam, ele fala para seus convertidos e para outros da mesma linha planeta a fora. Suas mediações foram poucas. Politicamente, o discurso manteve sua tropa em estado máximo de prontidão e alerta.
 
 
 

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