Sergio Moro diz que apresentará ao STF provas contra Bolsonaro

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Ex-ministro Sergio Moro. | Foto: Cristiano Mariz

Equipe Focus.Jor
focus@focuspoder.com.br

Sergio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, não recua das afirmações que fez em seu pronunciamento de demissão e diz que apresentará ao Supremo Tribunal Federal (STF) provas contra o presidente Jair Bolsonaro. De acordo com Moro, “o combate à corrupção não é prioridade do governo”. As declarações foram concedidas em entrevista exclusiva à Veja.

As provas de Moro seriam para comprovar que não é mentiroso, como foi acusado por Bolsonaro, e confirmariam que o presidente tentou, sim, interferir indevidamente na Polícia Federal. “Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar”, disse.

Moro também revelou que o governo de Bolsonaro nunca priorizou o combate à corrupção e que ficou bastante incomodado quando viu o presidente se aproximar de políticos suspeitos: “Sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção. Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido. É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo. E, por último, teve esse episódio da demissão do diretor da Polícia Federal sem o meu conhecimento. Foi a gota d’água”, revela.

Na entrevista, Moro conta que tem sofrido ações intimidatórias após as revelações que fez. “Atacaram minha esposa e estão confeccionando e divulgando dossiês contra ela com informações absolutamente falsas. Ela nunca fez nada de errado. Nem eu nem ela fizemos nada de errado. Esses mesmos métodos de intimidação foram usados lá trás, durante a Lava-­Jato, quando o investigado e processado era o ex-presidente Lula”.

Ao ser questionado sobre sua opinião atual com relação ao presidente Bolsonaro, afirmou: “pessoalmente, gosto dele. No governo, acho que há vários ministros competentes e técnicos. O fato de eu ter saído do governo não implica qualquer demérito em relação a eles. Fico até triste porque considero vários deles pessoas competentes e qualificadas, em especial o ministro da Economia. Espero que o governo seja bem-sucedido. É o que o país espera, no fundo. Quem sabe a minha saída possa fomentar um compromisso maior do governo com o combate à corrupção”.

O ex-ministro revelou que, por hora, não tem interesse na carreira política e que deve buscar atuar na iniciativa privada. “Minha posição sempre foi de sentido técnico. Vou continuar buscando realizar um trabalho técnico, agora no setor privado. Não tenho nenhuma pretensão eleitoral. Não me filiei a partido algum. Nunca foi meu plano. Estou num nível de trabalho intenso desde 2014. Quero folga. E não quero pensar em política neste momento”, declarou.

Moro também revelou detalhes da investigação do atentado que Bolsonaro sofreu durante a campanha, um dos motivos do desgaste de Sergio Moro e da direção da PF. Para ele, a hipótese do presidente, de que existe um mandante do crime, não é totalmente absurda. “Pende para o final da investigação um pedido de exame do aparelho celular de um advogado do Adélio”, revelou.

E por fim, afirmou que não há arrependimentos por ter trocado a magistratura pelo poder público. “Embora soubesse que minha ida para o governo seria controversa, o objetivo sempre foi continuar defendendo a bandeira anticorrupção, evitando retrocessos. Não, não me arrependo. Acho que foi a decisão acertada naquele momento. Agradeço ao presidente por ter me acolhido. Assumi um compromisso com ele que era muito claro: combate à corrupção, ao crime organizado e à criminalidade violenta. Eu me mantive fiel a esse compromisso”, concluiu.

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