A partidária democracia travestida, por Frederico Cortez

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Frederico Cortez é advogado, especialista em direito empresarial e sócio do escritório Cortez&Gonçalves Advogados Associados. Consultor jurídico e articulista do Focus.jor.

Por Frederico Cortez
cortez@focuspoder.com.br
Na semana passada escrevi o artigo intitulado “O poder é do povo, sempre será assim!”, aqui no Focus. O tema central do escrito acima repousa no poder do voto que o cidadão tem ao eleger um candidato, para fins de representação junto ao parlamento. Ao fim do texto, destaquei parte do parágrafo único da Constituição Federal de 1988, onde versa que “o poder emana do povo”.
Pois bem, e não é que em menos de uma semana depois, teve gente que não leu meu artigo! Recapitulemos. O político é eleito pelo povo para lhe representar, propor leis, manifestar oposição quando determinado tema legislativo vai contra o desejo do eleitor e outras tarefas políticas que lhe cabe. Enfim, o voto é do cidadão e não do partido político.
Na última quarta-feira,17, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) anunciou a punição para os sete parlamentares que não “seguiram a orientação do partido”, no sentido de votar contra a aprovação da reforma da Previdência. Dentre os “punidos”, a deputada federal Tábata Amaral pelo PDT do estado de São Paulo virou símbolo da dissidência de um grupo de parlamentares que se rebelaram contra a dita “orientação do partido”. Ora, mas por que motivo os deputados sofreram a pena de suspensão?   Pelo que entendo, e acredito que seja o certo, a terminologia “orientação” não significa “obrigação”. Trata-se de um conselho e não um mandamento. Verdade é que a velha política foi cultivada no mofado ar da intolerância e regada pela ausência do republicanismo.
Há algo que se tem de aclarar para o cidadão, eleitor ou não, no que pese a dinâmica dos partidos políticos, que engendram o sistema eleitoral brasileiro. O diretório nacional de um partido tem poderes muito maiores do que pensamos, uma vez que tem poderes de convocação, elaboração do seu estatuto, aplicação de sanções aos filiados e administração financeira sobre os recursos recebidos tanto do fundo partidário, como de outras fontes legais.  Ah, uma informação importante aqui. A legislação criou o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mais conhecido como fundo eleitoral, com a finalidade de custear as eleições dos candidatos. Os recursos são distribuídos para os diretórios nacionais, que daí em diante fazem os devidos repasses para os diretórios regionais e estaduais.
Na eleição de 2018, nada menos do que R$ 1,7 bilhão foi destinado para o tal fundo. Entenderam agora, o poderio do diretório nacional de um partido político?
Diante deste novo cenário partidário, conclui-se que há agora uma nova vertente política desenvolvendo-se. A disruptura causada por Tábata e demais, encosta na parede o velho e cansado modelo político do“caciquismo”. Este, diga-se de passagem, em estado de definhamento no percurso para uma democracia efetiva. Repiso: O poder é do povo, sempre será assim!

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

MAIS LIDAS DO DIA

Ceará registra maior crescimento da votação bolsonarista no Nordeste desde 2018

Bancada feminina no Congresso será a maior da história

Uece lidera indicadores de ensino e pesquisa entre estaduais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste

Bets começam a sair do ar nesta terça-feira após proibição de operações no Brasil

Professor. Foto: Divulgação/Governo do Estado

Ceará tem melhor avaliação da rede pública de ensino entre estados, aponta pesquisa

Emplacamentos de veículos batem recorde para setembro, com 509,7 mil unidades

A sede de mudança; Por Assis de Mesquita Ciríaco

Lavareda vê “ilusão de ótica” no 1º turno: Lula perdeu para a abstenção

Ciro Gomes não reconhece derrota e acusa: “Fomos roubados”