
“Sapientis eres mutaris consilium“, Cícero
Por Paulo Elpidio de Menezes Neto
O Nordeste, como realidafe geopolitica, desempenhou, em toda a sua história, papel eleitoral singular. As oligarquias foram as armas de um forte patrimonialismo no qual foram criadas as principais lideranças.
O PSD, saido da ditadura getuljsta como partido genérico, infenso a ideologias, é a cara do Ceará. Exala o odor de poder rural atrelado ao bacharelismo oportunista das grandes famílas locais.
A oligarquia nordestina é uma mistura da burocracia com a promiscuidade da propriedade de terras, tendo como expressão econômica e social a plantação de cana e a criação de gado.
Não por acaso, essa realidade ressuma relações de poder que espelham a riqueza e o fausto dos usineiros pernambucanos e a vida espartana dos “criadores” cearenses.
Foi assim no Império, teve continuação na República e persiste, com ares confusos de modernidade, nas oligarquias de bacharéis e burocratas.
Como no passado, o poder politico foi compartilhado, no Ceará, alternativamente ou se fez objeto de alianças entre “potentados” rurais e urbanos.
Em vários momentos, o poder eminente dos chefes políticos foram postos em cheque. As oligarquias ganhavam vôos próprios e enfrentavam-se “nas urnas”, metáfora que, até estes dias, carregam forte significado.
Episódio que encheria a crônica histórica do Ceará de narrativas divertidas, deu-se no ano fatídico de 1954. Saíramos, nove anos antes, de uma ditadura armada pelo tropel dos gaúchos, a que Getúlio Vargas chamou de “Estado Novo”, fascinado pelo fascismo dos camisas-negras de Mussolini.
A versão cearense dessa conversão totalitária veio ser designada de “Interventoria”, subordinada diretamente ao presidente da República. A natureza de exceção dos givernis estaduais traziam o selo do arbítrio na propria denominação, inserida na Constituição brasileira de 1937.
À falta de militares de alta estampa ou de clérigos virtuosos, os cearenses tiveram que conformar-se com um professor de latim, diretor de um colégio privado, expressão da melhor estirpe de educadores católicos.
Menezes Pimentel exerceu a Interventoria nos decorrer dos anos de uma ditadura fechada, escolhido pela gauchada instalada no Catete.
Foi diretor de um colégio particular, professor de Direito Romano da Faculdade de Direito da UFC, eleito givernador em 1935, tendo sido, em meio ao mandato, nomeado Interventor, cargo que exerceu durante todo o Estado Novo (1937/45). Com a redemocratizacão exerceu, até 1975, por cerca de 30 anos, a liderança incontestada do PSD no Ceará.
Em 1954, Getúlio, de retorno ao Catete, numa refrega de partidos saídos do cenário eleitoral que se organizava no Brasil, suicida-se.
E faz-se mártir de todas as suas virtudes de homem público e donatário da naior firmação eleitiral até então constituída no Ceará.De ditador transforma-se em chefe de Estado, como “estadista”.
Foram dias incertos, quando novas lideranças civis e militares foram despontando e ocupando os espaços disponíveis no espectro dos poderes do Estado.
A UDN surge à sombra da onda conservadora que põe em desassossego o lar das velhas oligarquias, vindas de todas as repúblicas. Assume, levada pelas ondas incontidas o primeiro plano da política, uma formação poderosa de todas as forças oligárquicas — a UDN.
Não tardaria, no Ceará, como pelo Brasil afora, o prestígio e os recursos politicos mais representativos, daria aos homens todo o poder e a glória com os quais edificariam a sua autoridade e a moradia do seu mando.
As eleições de 1954 anunciou-se no Ceará por uma notavel concentração de alianças, numa imprevisível rearrumação de forças eleitorais poderosas.
O eleitorado moveu-se conforme a direção dos votos (ou dos ventos) negociáveis e agrupou-se segundo a mivimentaçãos dis chefes-políticos mais prestigiados, de prestigioso birnal de intenções e de meios mTeriaus convincentes.
Armando Falcão, deputado federal, forrado de recursos abundantes para aqueles tempos, decidiu-se por enfrentar Paulo Sarasate, professor e herdeiro de um jornal de prestigio. O PSD aceita o desafio do partudo classe-média (UDN), e entra na campanha com todos os seus oligarcas invencíveis.
Na apertada contagem de votos, em modo artesanal, envelope por envelope, corações ao alto, as esperanças derradeiras voltavam-se para o município de Pedra Branca onde haveriam de explodir, em verdadeiro abalo sísmico, as urnas, abarrotadas de sufrágios para Armando Falcão.
Não surgiram. A UDN consagraria a sua única eleição majoritária, ao tempo dos “coronéis”.







