América Latina decepciona. Por Igor de Lucena

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

Nosso artigo de hoje é quase que a transcrição e a análise realizada pela consultoria Eurásia referente aos maiores riscos geopolíticos do ano de 2021. Um deles em especial foca na América Latina de tal modo que é pertinente para nossos fiéis leitores entenderem o contexto em que estamos inseridos e os riscos que outras nações latino-americanas vivenciam neste momento, que também são em parte riscos para o Brasil.

À medida que emergem da pandemia, os países latinos da América enfrentarão versões mais duras sob o aspecto político, problemas sociais e econômicos que estavam enfrentando antes da crise. Não haverá grande disponibilidade de vacinas até o segundo semestre deste ano, e os países latino-americanos estão mal posicionado para lidar com outra onda de coronavírus antes disso. Os principais pontos deste conflito político são apresentados pelo pesado calendário eleitoral deste ano em alguns países: eleições legislativas na Argentina e no México, e eleições presidenciais no Equador, Peru e Chile.

Todos os cinco países experimentaram uma deterioração fiscal significativa, tal como o Brasil, resultado do aumento dos gastos para mitigar o impacto econômico causado pela pandemia. Dado à pobreza crescente, à desigualdade notória e ao elevado índice de desemprego, os representantes mais fracos não estarão dispostos a tomar decisões politicamente difíceis, como cortar gastos com serviços sociais; na verdade, as eleições irão incentivar os políticos, especialmente aqueles nos poderes legislativos, a promover políticas que prejudicam ainda mais os balanços de seus países. Na Argentina, o presidente Alberto Fernandez sairá enfraquecido nas eleições de meio de mandato devido à situação difícil da economia, reduzindo ainda mais sua capacidade de impor ajustes fiscais e medidas de redução da inflação.

No México, a popularidade do presidente Andres Manuel Lopez Obrador permanecerá alta, e seu partido manterá a maioria na câmara baixa, permitindo-lhe continuar com o controle de uma agenda política que minará o ambiente de negócios. Altos níveis de descontentamento social enfraquecerão os governantes e ‘abrirão as portas’ para candidatos populistas, especialmente em países que realizam eleições presidenciais. Esse risco é maior no Equador, onde o candidato moderado Guillermo Lasso enfrentará uma batalha difícil, colocando em risco o programa do FMI e a estabilidade econômica do país. No Peru, o crescente descontentamento ‘abre a porta’ para um candidato de fora e gera uma reversão das políticas ortodoxas favoráveis ao investidor, o que tem sido a norma por décadas.

No Chile, o ciclo eleitoral coincide com a reforma constitucional em um ambiente de descontentamento generalizado, com probabilidade de protestos cada vez mais violentos. Um candidato de esquerda que ameace reverter a direção da política atual seria plenamente competitivo. O Oriente Médio é obviamente o maior perdedor na crise do coronavírus entre as regiões do mundo, e a América Latina é um claro segundo lugar.

No Brasil, o atraso na distribuição das vacinas deve pressionar as contas públicas por mais uma onda de auxílios emergenciais, e ao promover a continuidade de um alinhamento ideológico ao presidente Donald Trump, o governo federal não deve ser produtivo o ponto de vista das relações internacionais para o novo governo de Joe Biden. Não vamos esquecer que a politização das vacinas se tornou, talvez, o pior momento da história sanitária brasileira.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

MAIS LIDAS DO DIA

Michelle Bolsonaro é eleita senadora pelo Distrito Federal

Nikolas Ferreira é reeleito e se torna o deputado federal mais votado da história

Erika Hilton é reeleita e se torna a mulher mais votada da história do Brasil

Cid Gomes reeleito: o grande articulador de 2026

Flávio x Lula no 2º turno: 2026 repete 2022, mas com diferenças decisivas

Elmano: uma vida construída passo a passo

Luizianne senadora: a volta por cima de quem nunca saiu do jogo

Veja os governadores eleitos em todos os estados

Sarto repete o fim de Juraci: derrota eleitoral encerra ciclo político