A demonização da oposição; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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[Por que a esquerda é sempre “democrática” e os que a ela se opõem são chamados de “extrema-direita”?]

“O verdadeiro pensamento político exige liberdade contra ‘corrimãos” ou fórmulas prontas”, Hannah Arendt – “As Origens do Totalitarismo”, 1951

A Esquerda, gerada no ovo da serpente do totalitarismo nasceu com vocação “internacionalista” em uma guerra civil que se aprigundou em “holodomar” trágico.

O bolchevismo de 1917 dividia-se entre a militância prudente, comprometida com a consolidação do comunismo, nos dilatados territórios da Rússia, sob a denominação genérica de URSS, e a esquerda com a revolução “permanente” que Lenin pretendia alastrar por todo o Ocidente.

Trotsky e Lenin, definiram o comunismo, para fixar a sua redução estratégica, como o “estopim” de um grande movimento mundial. Stalin, com a força da sua lideranca, falava do “comunismo em um só lugar”, movido pelo propósito de serenar a inquietação das principais potências europeias.

Prevaleceria, com o tempo, entretanto, nesses começos audaciosos, a estratégia da internacionalização do comunismo para confronto com o Capitalismo.

É disso que se trata, quando toda e qualquer oposição ao comunismo se esboça, ao redor do mundo.

Fascistas, reacionário, extremista, radical, conservador, golpista, genocida são as qualificações mais frequentes empregadas em contraposição ao conceito de “socialismo democrático”, e “progressista” de governos de “democracias populares”.

No Brasil, o “prestismo” fundador pintaria o retrato de fascista conveniente e nesta classificação enfiaria a resistência encontrada pela disseminação do ideário bolchevista por aqui.

Da atuação militante da esquerda foi extraída a categorização de uma ditadura “democrática”, a brasileirissima versão da “democradura”, consagrada pelo general Geisel [“Abertura lenta, gradual e segura”] e pelo presidente Lula [democracia “relativa”].

A magnificação desses rasgos de exaltação democrática resultou a condenação da direita com a imagem de ideologias “retrogradas e autoritárias”. De uso corrente, estes clichês e estereótipos de sanções acusatórias servem para vestir os movimentos de formação democrática como agentes radicais, extremistas.

Chamá-los de “direita radical”, é uma tentativa de desconstrução dos seus compromissos democráticos que os animam e fortalecem. A ameaça totalitária exerce — admitamos — pressão e forte influência à direita e à esquerda, ao sabor de circunstâncias variáveis.

A persistência da ideia de uma “revolução mundial,”, encorajada por Lenin e Trotsky, ganharia impulso, em favor da formação da Terceira Internacional para “espalhar a doutrina socialista pelo mundo e derrubar o capitalismo global”.

O “Cominterm” foi a máquina criada para mostrar ao mundo os feitos bolcheviques e influenciar politicamente os países do terceiro mundo.

A juventude, os intelectuais e a mídia eram os temas centrais de congressos, olimpiada, simpósiis e conferências, tudo “O800” para uma crescente plateia de militantes e catequistas experimentados.

Por que extremista, radical e miliciana deveria ser chamada a “direita” e “progressista” a esquerda?

[Em tempo: o que entendemos, no Brasil, por esquerda e direita? De que estas hostes são construídas? De quanto totalitarismo são feitas e a que, de fato, se opõem?]

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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