O movimento
Lula enviou emissários para sondar João Santana sobre uma participação na campanha do segundo turno. A ideia discutida no entorno do presidente é substituir Raul Rabelo, atual responsável pelo marketing, ou reforçar a equipe com Santana. Santana conhece o terreno petista como poucos. Foi o responsável pelo marketing da campanha de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, todas vitoriosas.
Mas há uma ironia política: Santana passou os últimos anos do outro lado da trincheira. A informação foi publicada inicialmente pelo site Metropoles e confirmada por outros jornais.
A conexão com Ciro
Em 2022, Santana comandou a comunicação da campanha de Ciro Gomes à Presidência. O resultado eleitoral foi ruim — Ciro terminou em quarto, com 3% dos votos válidos —, mas a parceria profissional não terminou ali. Em 2026, os dois voltaram a trabalhar juntos. Santana assumiu a comunicação da campanha de Ciro ao Governo do Ceará, repetindo a parceria quatro anos depois. Ele também coordenou a comunicação da chapa majoritária da oposição no Estado.
A relação ganhou contornos pessoais. No fim de 2025, os dois já vinham se encontrando com frequência e Santana era consultado por Ciro antes da definição da candidatura.
O detalhe que chama atenção
Santana conhece Lula por dentro e Ciro por dentro. Conhece a máquina de comunicação que ajudou a construir a imagem eleitoral do PT. E conhece, por experiência recente, a estratégia de um dos mais duros críticos de Lula. Em 2026, Ciro disputou o Governo do Ceará contra o grupo petista liderado por Elmano de Freitas. Santana esteve à frente de sua comunicação. Agora, pode voltar a trabalhar para Lula.
Marina, 2014
O currículo de Santana também tem um capítulo decisivo — e controverso. Na campanha de Dilma em 2014, sua equipe colocou Marina Silva no centro da estratégia de ataque quando a então candidata do PSB cresceu nas pesquisas. O próprio comitê de Dilma tratava a operação como uma estratégia para “desconstruir” Marina, explorando pontos considerados frágeis da adversária. A ofensiva foi apontada, à época, como um dos fatores que ajudaram Dilma a abrir vantagem sobre Marina. Foi uma das campanhas mais agressivas da história recente do marketing político brasileiro.
Lava Jato
A trajetória de Santana também foi interrompida pela Lava Jato. Ele e sua mulher, Mônica Moura, foram presos em 2016 e fizeram acordos de colaboração. Posteriormente, decisões do STF anularam condenações e atos processuais relacionados aos processos da Lava Jato. Em 2024, o ministro Dias Toffoli anulou atos da 13ª Vara de Curitiba no caso de Marcelo Odebrecht, em decisão que também afetou o conjunto de provas utilizado em processos relacionados.
Por que importa
A eventual volta de Santana à campanha de Lula não seria apenas uma troca de marqueteiro. Seria o retorno de um profissional que já venceu eleições presidenciais com Lula, enfrentou Marina por Dilma e, depois, ajudou Ciro a enfrentar o próprio Lula. E há um dado adicional: Santana acabou de sair de uma campanha estadual contra o PT no Ceará.
Agora, Lula pode pedir a ele que faça o caminho inverso. Do Ciro anti-Lula de volta ao Lula que ele ajudou a eleger.







