
Creio que o prefeito Evandro Leitão esteja, apesar do quadro de dificuldades que encontrou, gratificado com a missão de cuidar da cidade que lhe viu crescer. Tem conseguido atenuar os efeitos da gestão desastrosa de José Sarto e já começa a projetar legados para a segunda metade de seu governo.
Se é fato (deve ser), Evandro já dá, concluída a eleição estadual deste ano, os primeiros traços no planejamento de sua candidatura à reeleição e é bom que faça isso porque o destino de seu projeto começa a ser decidido ainda neste outubro, com o segundo turno da eleição presidencial.
Explico. Dado objetivo, Evandro vai enfrentar em 2028 uma oposição espaçosa: seu provável adversário, André Fernandes, a quem antes derrotara por uma fração de votos, acaba de se reeleger deputado federal com o marco recorde de 684 mil votos
Por sua vez, o candidato a presidente de seu partido, Flávio Bolsonaro, obteve em Fortaleza, uma capital nordestina, 39,34% de votos – uma diferença de apenas 14,14% para o “pai” Lula, o presidente que casa e batiza na região de Antônio Conselheiro e Zumbi dos Palmares.
Não há, portanto, dúvidas. A direita está viva na capital. É plausível, então, imaginar dificuldades maiores para a reeleição de Evandro no caso de uma vitória de Flávio Bolsonaro agora. De fato, é tudo que o prefeito não precisa para obter sucesso em seu projeto de permanecer no Palácio do Bispo até 2032.
Os números resultantes do primeiro turno, lá e aqui, indicam a necessidade de Evandro liderar uma reação vigorosa nas próximas semanas para dar a Lula uma vitória mais larga em Fortaleza. A proporção apresentada no primeiro turno (53,48% x 39,34%) revelou uma cidadela não suficientemente guarnecida para embates futuros.
Sabemos todos que, nas eleições municipais, a influência de um presidente é fator de menor peso do que tem nas eleições estaduais. No caso municipal, há maior predominância de questões tangíveis, de recorte cotidiano. Entretanto, fatores circundantes passam a ter relevância maior em disputas mais acirradas.
Neste sentido, o segundo turno da eleição presidencial representa, no território de Fortaleza, uma prévia do que poderemos enfrentar ou não em 2028. É preciso manter mobilizadas as forças sociais que atuaram na capital durante a disputa que elegeu Elmano. Um bom começo seria Evandro Leitão convidar Luizianne Lins para um café pela manhã, bem cedo. Fica a dica.








