
O ministro da Educação, Camilo Santana, garantiu que não irá entrar no “debate de questões ideológicas” após acusações da bancada do agronegócio do Congresso Nacional.
A bancada exigiu a anulação de três questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado no domingo, 5.
“Não há nenhuma interferência por parte do governo na elaboração das questões da prova”, disse Camilo. “Isso é feito de uma forma profissional, por professores de universidades, da educação básica, que tem toda autonomia para elaborar as provas do Enem”, seguiu o cearense.
Parlamentares da oposição ao governo Lula usaram as redes sociais para criticar as questões, incluindo o senador Sérgio Moro (União-PR) e os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Eles consideraram viés ideológico na prova.
Economistas criticaram sobretudo duas questões. A principal tinha um texto que dizia que, no Cerrado, o “conhecimento local” está subordinado “à lógica do agronegócio” e o “capital impõe conhecimentos biotecnológicos” que trazem consequências negativas. O trecho faz parte de um artigo que foi publicado na Revista de Geografia da Universidade Estadual de Goiás. “É de um esquerdismo raso, o que me parece ter um viés doutrinário”, diz o economista Alexandre Schwartsman. Para ele, as questões refletem um pensamento de muitos professores e não necessariamente apareceram por se tratar do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Também houve crítica à prática de dumping, o que aparece em um texto selecionado do geógrafo Milton Santos, premiado internacionalmente e morto em 2001, no livro Por uma outra globalização. Do pensamento único à consciência universal. Segundo Schwartsman, Santos é um autor “importante”, mas com “viés marxista”.
“A competitividade é vista como algo bom na economia”, afirma Armando Castelar, professor e pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. Para ele, as duas questões têm textos “carregados e adjetivados”. A questão que menciona o Cerrado também demonstra “preconceito”. “O Centro-Oeste tem obtido ganhos significativos em termos de emprego e renda e caminha pra ter provavelmente a menor desigualdade de renda do País na próxima década”, diz o economista da MB Associados Sergio Vale. Para ele, o agronegócio aparece sempre com “um viés negativo, como se fosse um vilão a ser abatido”. “Mas não fosse o agronegócio e as demais commodities o País estaria em crise econômica profunda.”







