Bolsonaro e o centrão: o vilão socorre o xerife

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Ricardo Alcântara é escritor e publicitário. Filiado à Rede Sustentabilidade.

Motivara a presença de militares no governo Bolsonaro – afora o conservadorismo ideológico – seu compromisso eleitoralmente firmado com o combate à corrupção.

A ameaça de impeachment relativizou o afã moral e cívico: foram se socorrer na “escória” parlamentar que, frente ao palácio, seus seguidores excomungam todos os domingos.

A partir de agora, a sopa de letrinhas abreviada no codinome Centrão selou com os generais de Bolsonaro, sob o olhar angustiado do Olavismo radical, seu pacto mercenário.

Os comandantes investigados de PL, Progressistas, Republicanos, PRB, Patriota, PSC, PTB, PSD, Avante e PROS colocam suas fileiras entrincheiradas por três objetivos:

1) Servir como atoleiro a qualquer tentativa de passar adiante um processo de impeachment;

2) Fazer em 2021 o novo presidente da Câmara, alinhado ao Palácio do Planalto; e

3) Despejar, em bloco, seus votos nas pautas liberais de interesse do Executivo.

A primeira parcela do débito, o ítem 1, na ponta do lápis já está precificada:

1) A gestão dos 55 bilhões do FNDE do ministro da Educação que há pouco confessou desejo de prender seus novos aliados;

2) O Dnocs e sua prodigiosa fábrica de poços no semi-árido;

3) O Banco do Nordeste e sua generosa capilaridade na região mais resistente ao assédio bolsonarista;

4) O Dnit, sempre pródigo nas operações do tipo, e a Codevasf, além da Sudene.

Desse modo, a instituição Forças Armadas é gradualmente arrastada de volta para o pântano político, após 35 anos de devotada dedicação à sua missão de Estado.

Amargarão eles, militares, ou amargaremos nós, os civis, as consequências da aventura cuja extensão ainda não está bem definida?

Veremos. Essas coisas, sabemos como começam, mas nem sempre como terminam.

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