
O Brasil ficou em 70º lugar em ranking mundial com “baixa proficiência” em inglês. De acordo com o Índice de Proficiência em Inglês (EF EPI), 2,2 milhões de brasileiros não têm o inglês como língua nativa. O
A classificação “baixa proficiência” significa que a população não consegue em sua grande maioria participar de encontros e reuniões no trabalho em inglês, escrever e-mails profissionais ou compreender textos e notícias. Ao lado de países como China, Paquistão e Turquia, os brasileiros que falam inglês estão limitados a viajar a um país de língua inglesa como turista, ter conversas informais e trocar emails com amigos.
Recortes de gênero e Idade
O EPI é um estudo que vem sendo realizado há 12 anos mundialmente e, de lá para cá, o Brasil vem em escala de desenvolvimento levemente ascendente (gráfico abaixo). Os conhecimentos de inglês dos jovens brasileiros de 18 a 20 anos teve uma melhora sutil de 3 pontos com relação a 2022, e todas as faixas etárias de 21 anos em diante tiveram queda – sendo a maior na faixa dos 26 a 30 anos, de 532 pontos para 509.
Sobre a melhora entre os jovens de 18 e 20 anos, que vai na contramão dos outros países do mundo, Eduardo Santos, country manager da EF Hult Corporate Education, atribui o fato a uma mudança significativa de percepção das empresas brasileiras conectadas ao ESG e a inclusão de jovens talentos. “Antigamente, falar inglês era pré-requisito para entrar no mercado corporativo. Hoje, as empresas e governos perceberam que, para garantir o espelho da sociedade em seus quadros e obter sucesso nas agendas de Diversidade e Inclusão, precisam investir de forma estruturada e intencional em cursos de proficiência. A EF tem sido um grande aliado e parceiro do país em projetos deste tipo”, declara.
Quando levantamos os motivos da queda de nível “moderado” para “baixo”, o resultado deve-se à performance baixa entre os jovens de 26 a 30 anos. “Historicamente sabemos dos desafios e oportunidades para melhorar o nível médio de proficiência do brasileiro. O dado é um reflexo real da educação que vivemos. Nossos profissionais chegam na idade produtiva sem conseguir falar fluentemente o inglês e acabam perdendo na competição global para 69 nações que estão acima de nós no ranking”, comenta Eduardo Santos ressaltando que, embora isso seja real, empresas e gestores públicos já estão fazendo esforços evidentes para mudar este cenário. “As corporações têm repensado o formato de desenvolvimento desta habilidade em busca de soluções mais eficazes. E os governos do Paraná e Mato Grosso, podem ser considerados exemplos de como tratar a educação e proficiência do nível de inglês no País”, conclui.
Já o recorte de gênero aponta que o Brasil tem, desde 2019, uma disparidade a favor dos homens e, desde 2021, a distância segue aumentando. Embora ambos os gêneros tenham tido queda na proficiência do inglês, a queda feminina foi ligeiramente maior (3 pontos a mais).
A country manager do Brasil para a EF Intercâmbio, Cristiane Bianco, levanta também outra questão que impactou nos resultados, o período de pandemia. “Uma das mais ricas e eficazes formas de aprender inglês em menos tempo são as viagens de intercâmbio, que foram interrompidas durante a pandemia de COVID-19. Entendemos que este resultado é um reflexo direto também deste aspecto, no entanto, a retomada intensa dessas experiências em 2023 certamente nos trará resultados melhores no próximo ano”, explica a executiva.
Neste quesito, da pandemia, Wagner Domingues, country manager da English Live, a unidade de negócios da EF focada no ensino de inglês online, avalia que a agilidade do público mais jovem brasileiro a se adaptar ao estudo nas plataformas digitais é inerente e temos muitas oportunidades. “A EF foi a primeira escola de inglês do mundo a implementar aulas de inglês online, em 1996, e no Brasil, à época sob o nome de Englishtown, desde o ano 2000. Quando aconteceu o lockdown, estávamos absolutamente confortáveis no digital, mas isso não significa, necessariamente, que toda a população também estava. É claro que os mais jovens estão mais familiarizados com as tecnologias e os mais velhos precisam de um tempo maior para se adaptar, e é um pouco disso que este recorte da pesquisa nos mostra”, comenta Wagner.
Inglês na América Latina
Dentre os 20 países avaliados na América Latina, o Brasil está à frente apenas de Panamá, Colômbia, Equador, México e Haiti – enquanto Argentina, Honduras e Costa Rica ocupam as três primeiras posições do ranking, respectivamente.
Inglês no Mundo
O Índice de Proficiência em Inglês (EF EPI) 2023 de forma geral revelou um declínio preocupante na proficiência em inglês dos jovens nos últimos cinco anos e uma crescente disparidade de gênero.
“O índice deste ano retrata uma ilusão de estabilidade global – onde o inglês de todos permanece praticamente o mesmo, mas a verdade é que os ganhos em certos países e regiões estão sendo compensados por perdas em outros”, comenta Kate Bell, executiva da EF, responsável pelo estudo.
O EF EPI é baseado nas pontuações dos testes do EF Standard English Test (EF SET), usado mundialmente por escolas, empresas e governos para testes em larga escala, bem como por participantes individuais.
As principais conclusões da pesquisa, em nível mundial, revelam:
A proficiência em inglês dos jovens continua a cair (-89 pontos entre jovens de 18 e 20 anos desde 2015), impulsionada por alguns grandes países, incluindo a Índia e a Indonésia. Diversos outros países registaram declínios relacionados à pandemia neste recorte, acelerando a tendência mundial.
A proficiência no trabalho está aumentando. Em nível mundial, estes ganhos foram obtidos durante o período pandêmico (+20 pontos para adultos com mais de 30 anos entre 2020 e 2021), no entanto, muitas tendências nacionais indicam uma melhoria constante desde 2015.
A disparidade de gênero está se agravando, com o inglês dos homens melhorando (+14 pontos) e o das mulheres diminuindo (-19 pontos desde 2014). Contudo, essa disparidade não é uniforme, uma vez que 63 países estão com paridade de gênero ou bem perto dela.
Regionalmente: A proficiência no Leste Asiático diminuiu quatro anos consecutivos, acelerada este ano pelo Japão e pela China. A proficiência no Oriente Médio está estagnada. O inglês está melhorando constantemente na América Latina, mas o progresso da região é prejudicado pelo declínio da proficiência no México e por um ritmo mais lento no Brasil. Apesar de dominar o topo do índice, a Europa estagnou este ano. Finalmente, a proficiência em inglês na África é largamente estável, exceto na Tunísia e na Argélia, ambas melhorando rapidamente.
Classificação por Estados Brasileiros
Santa Catarina foi classificada com o maior índice de proficiência em inglês no Brasil, com nível alto de conhecimento (555 pontos). Em segundo lugar, aparece o Rio Grande do Sul (542 pontos), seguido por Distrito Federal (540), Minas Gerais (531) e Rio Grande do Norte (520), todos com proficiência moderada. Os piores resultados ficaram com os estados do Piauí (451) e Acre (450), com nível baixo, e Maranhão (441), muito baixo. Acesse aqui o ranking por estado e cidade brasileiros.
Metodologia do EF EPI
Esta edição do Índice de Proficiência em Inglês da EF é baseada em dados de testes de mais de 2.200.000 participantes em todo o mundo que realizaram o EF Standard English Test (EF SET) ou um dos testes de nível de inglês da EF em 2022. Por meio dos resultados, o índice classifica em cinco categorias de proficiência: muito alta, alta, moderada, baixa e muito baixa – sendo avaliadas apenas cidades, regiões e países com um mínimo de 400 resultados, mas na maioria dos casos o número de participantes foi muito maior.







