Consultor critica mudanças na propaganda eleitoral e aponta protagonismo da internet em 2018

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Na campanha eleitoral de 2018, os candidatos terão menos tempo de propaganda na TV e no rádio. A Internet será uma grande aliada na corrida pela busca de votos, mas é preciso saber utilizá-la para alcançar esse objetivo. É o que avalia Luís Henrique Romagnolli em entrevista ao Focus.jor. Ele será um dos palestrantes do 13º Congresso Brasileiro de Estratégias Eleitorais e Marketing Político, realizado nesta sexta-feira, 18, e sábado, 19, no Centro de Eventos do Ceará. Mais informações em www.estrategiaseleitorais.com.br.
Focus.jor: Como em toda eleição, há mudanças nos horários da propaganda. Agora os programas estão menores e há mais tempo de inserções durante as programações de rádio e TV. Em sua opinião isso prejudica ou fortalece as candidaturas, principalmente as proporcionais?
Luís Henrique Romagnolli: As mudanças na legislação eleitoral que são feitas a cada campanha têm originalmente a intenção de aperfeiçoar o processo, mas às vezes os resultados são o oposto. A diminuição do tempo total dos programas, os chamados “blocos”, é uma tendência por vários motivos, mas principalmente porque o habito de consumo da informação pelo público está mudando. Com as inserções, o eleitor é atingido pela mensagem por 30 segundos durante a programação. Mas aumentar o tempo de inserções para 70 minutos diários, distribuídos para os candidatos a presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais, vai gerar um massacre de mídia. Isso já aconteceu nas eleições de prefeito e vereador de 2016. São 140 comerciais de 30 segundos por dia! Pergunte a qualquer profissional de mídia para ver a reação. É contraproducente! O horário eleitoral é gratuito (ok, ok, as emissoras de rádio e TV são remuneradas com isenções) para que o acesso seja o mais democrático possível. Mas se o objetivo é atrair a atenção do público para a sua mensagem é necessário que haja o mínimo de respeito e adequação à linguagem dos veículos.
Focus.jor: Como estas mudanças afetam as campanhas proporcionais?
Romagnolli: A maioria dos partidos não avalia o resultado das suas campanhas de proporcionais. O eleitor que se lixe pra tentar se identificar com algum candidato ou alguma proposta no meio da barafunda. Eu exagero dizendo que tem campanhas de proporcionais tão ruins que deveriam ser processadas por mau uso de dinheiro público. Não proponho gastos estrondosos e estripulias tecnológicas. Na área de comunicação política e eleitoral, a inteligência é um produto barato pelo que representa. Uma produção criativa sobre uma estratégica bem elaborada pode ser a diferença entre o eleitor te dar atenção ou não. Do ponto de vista da comunicação para que as escolhas não fiquem lotéricas, é necessário que os partidos tenham mensagens unificadoras e diferenciais presentes nos seus horários, que encontrem meios criativos e eficazes de transmitir estas mensagens e que usem bem os meios. Por exemplo, usar os diferentes horários e públicos da televisão e que aproveitem a segmentação dos públicos de rádio. Isso não é caro e melhora muito a performance e as possibilidades eleitorais.
Focus.jor: Além do horário eleitoral, quais elementos serão decisivos para o sucesso de novas candidaturas no contexto atual, que sugere tendência da sociedade à renovação nos quadros políticos?
Romagnolli: Digo que a presença na internet e redes sociais já deveria ter começado! Não adianta tentar estabelecer uma relação com o eleitor quando já tiver uma fila de perfis e blogs e sites disputando a mesma cabeça. A poluição vai ser semelhante à fileira de santinhos eletrônicos no rádio e TV. Considero que a bandeira do “novo” pelo novo pode ser uma armadilha para o eleitor. Muitos políticos corruptos, e pior ainda, traidores dos seus compromissos, eram “novos” até um dia destes. A Internet atravessa todas as áreas da campanha. É preciso integrar a linguagem toda. Em algum momento, em algum lugar, os meios precisam se reunir pra definir quem faz o que, quando e com que linguagem. E lembrar que todos os meios são úteis, mas o que define a relação com o eleitor é o conteúdo e o compromisso.
 

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