
A dez dias do segundo turno, senador oscila de 52% para 51%, enquanto presidente passa de 48% para 49%. Empate técnico se mantém, com disputa concentrada na mobilização dos eleitores.
O segundo turno presidencial chega à reta final com Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) separados por apenas dois pontos percentuais nos votos válidos, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro. O senador tem 51%, ante 49% do presidente. Como a margem de erro é de dois pontos, o resultado configura empate técnico.
O dado central é a redução da distância. Na semana anterior, Flávio tinha 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. A diferença caiu de quatro para dois pontos, em um movimento que aproxima numericamente os candidatos, sem estabelecer uma vantagem estatisticamente conclusiva.
Nos votos totais, Flávio registra 47%, e Lula, 45%. Na pesquisa anterior, o senador aparecia com 49%, enquanto o presidente permanecia nos mesmos 45%. Brancos e nulos passaram de 5% para 6%, e os indecisos, de 1% para 2%.
O que os números revelam
1. A disputa permanece aberta. A diferença de dois pontos nos votos válidos está dentro da margem de erro. A pesquisa não permite afirmar que um dos candidatos tenha vantagem estatisticamente consolidada.
2. A geografia eleitoral importa. Flávio mantém vantagem no Sudeste, com 51% a 41% dos votos totais, e no Sul, com 57% a 35%. Lula, por sua vez, registra 61% a 32% no Nordeste.
3. A renda divide o eleitorado. Entre quem ganha de dois a cinco salários mínimos, Flávio marca 55%, ante 40% de Lula. Na faixa de menor renda, o presidente tem 53%, contra 38% do senador.
4. Religião e gênero também distinguem os grupos. Entre evangélicos, Flávio tem 62%, contra 29% de Lula. Entre católicos, Lula registra 52%, ante 42% do adversário. O presidente lidera entre as mulheres, por 49% a 40%, enquanto Flávio vence entre os homens, por 52% a 40%.
O fator decisivo da reta final
A campanha de Lula intensificou as mobilizações de rua e incorporou medidas econômicas e pautas trabalhistas à sua estratégia. Flávio, por sua vez, procura consolidar a imagem de mudança e ampliar sua articulação política com o Congresso eleito.
Um elemento relevante é a abstenção do primeiro turno: 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas. A pesquisa não demonstra quantos desses eleitores poderão ser mobilizados por cada campanha, mas a participação eleitoral será uma variável importante no resultado final.
O levantamento também foi encerrado antes da aprovação da proposta de fim da escala 6×1, em 14 de outubro. Portanto, seus eventuais efeitos sobre a intenção de voto não estão captados nos números divulgados.
Por que importa
A pesquisa mostra uma eleição numericamente mais apertada do que na rodada anterior. A redução da diferença, porém, não deve ser confundida com uma mudança definitiva de cenário. Com os candidatos empatados tecnicamente, os próximos movimentos da campanha, a conversão de indecisos e a participação dos eleitores serão pontos centrais de observação.
Metodologia: Datafolha ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios, nos dias 13 e 14 de outubro de 2026. Margem de erro de dois pontos percentuais para o resultado geral. Registro no TSE: BR-00466/2026.
Fonte: Datafolha, reportagem de Igor Gielow, publicada em 15 de outubro de 2026.







