Educação científica precoce: um investimento estratégico para o desenvolvimento econômico; Por Adriana Rolim

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Diverse kids reading books

Discutir o desenvolvimento econômico de um país geralmente nos leva a temas como industrialização, inovação, produtividade e tecnologia. Mas há um elo fundamental nessa cadeia que muitas vezes passa despercebido: a educação científica desde os primeiros anos de vida. A alfabetização científica não é apenas uma questão educacional — é uma questão estratégica de desenvolvimento.

Crianças que têm contato com conceitos científicos desde cedo aprendem a observar, questionar e buscar explicações. Desenvolvem o pensamento crítico, a curiosidade e a capacidade de resolver problemas — habilidades fundamentais para qualquer pessoa no século XXI, mas especialmente para aquelas que irão compor as futuras forças produtivas de uma nação.

Ignorar a alfabetização científica nos primeiros anos escolares é perpetuar um ciclo de desinformação, baixa qualificação e dependência tecnológica. Países que conseguiram transformar sua economia com base na ciência e tecnologia são exemplos claros de que o investimento em educação científica precisa começar na infância — não apenas na universidade ou no ensino técnico.

Apesar dos avanços pontuais, o Brasil ainda investe pouco em educação científica na base do ensino, o que contrasta fortemente com os países desenvolvidos. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), países como Alemanha, Japão e Finlândia destinam uma parcela significativa de seus investimentos em educação para programas voltados à ciência desde o ensino fundamental, enquanto o Brasil ainda concentra grande parte dos recursos no ensino superior. Além disso, o desempenho dos estudantes brasileiros em ciências no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) permanece abaixo da média dos países da OCDE, refletindo a ausência de uma política sistemática de alfabetização científica desde os primeiros anos escolares. Essa lacuna compromete a formação de uma força de trabalho qualificada e inibe a capacidade do país de competir globalmente em setores de alta tecnologia.

Além disso, a alfabetização científica ajuda a formar cidadãs e cidadãos mais conscientes, capazes de tomar decisões informadas sobre temas complexos como mudanças climáticas, vacinas, energia e sustentabilidade. E cidadãs e cidadãos bem informado(a)s são a base de democracias fortes e economias resilientes.

Promover a educação científica desde os primeiros anos não é um luxo ou um ideal distante. É uma necessidade urgente para quem deseja construir um país mais justo, competitivo e preparado para o futuro. O conhecimento científico começa na infância — e com ele, também começa o verdadeiro desenvolvimento de uma nação.

Adriana Rolim é farmacêutica,doutora em Farmacologia. Docente e Pesquisadora da Universidade de Fortaleza.

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