Escolas Cívico-Militares no centro de uma guerra ideológica, por Luiz Pontes

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O ex-senador Luiz Pontes é o presidente estadual do PSDB. Foto: Divulgação

A decisão do Governo do Ceará em aderir ao Programa de Escolas Cívico-Militares do Governo Federal tem suscitado polêmicas entre segmentos diversos e críticas ao governador Camilo Santana. Vivemos uma fase tão aguda de intolerância, que intoxica até mesmo as mentes mais liberais e inteligentes que conhecemos. Afinal, porque essa proposta para a educação, que prevê a participação de militares da reserva em atividades educacionais e administrativas das escolas, vem sendo atacada? O que os pais – e os alunos também – mais querem é uma escola de qualidade, com bons resultados. Então, porque não se permitir adotar essa iniciativa de construção de um ambiente escolar de excelência, com parcerias e vínculo entre gestores, professores, militares, estudantes, pais, enfim, com a sociedade?
Se a dúvida recai sobre os resultados, as escolas de Goiás que adotaram o programa de forma pioneira são um indicativo de sucesso desse modelo. Quem, de bom senso, não quer escola de qualidade, onde todo aluno consiga aprender e todo professor tenha tranquilidade e condições de executar seu trabalho com compromisso e responsabilidade? Os que se debatem contra a proposta argumentam que bons resultados também se conseguem com investimentos, valorização profissional, capacitação e ampliação na oferta de escolas em tempo integral. Creio que a coexistência de ambos os modelos são viáveis e necessários por um bom tempo, até porque a implantação de escolas cívico-militares se dará de forma gradativa.
Outro temor em relação às escolas cívico-militares é quanto à adoção da proposta pedagógica. Sobre isso, o Ministério da Educação tem enfatizado que as questões didático-pedagógicas continuarão atribuições exclusivas dos docentes, sem sobreposição com os militares, e serão respeitadas as funções próprias dos profissionais da educação, conforme está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Já os militares atuarão na disciplina dos alunos, no fortalecimento de valores éticos e morais, e na área administrativa, no aprimoramento da infraestrutura e organização da escola e dos estudantes. Ou seja, os militares não vão substituir os professores dentro da sala de aula.
Todos os estados que optaram pela adoção do programa irão iniciar com duas unidades em 2020. Tenho a expectativa de que a maioria das prefeituras cearenses também ingresse no projeto. Quanto às críticas feitas ao governador Camilo Santana, elas têm origem onde menos deveriam: seus aliados de esquerda. Diferente dos demais governadores do Nordeste – que colocaram em primeiro lugar suas ideologias petistas em detrimento do interesse comum de seus representados – o governador Camilo Santana segue a cartilha do bom senso.
A despeito dessa consideração à cerca do bom senso do governador do Ceará, não entro em sua defesa por alinhamento político ou qualquer outra ilação que se queira fazer, mas por entender que nossos estudantes devem ter acesso a um ambiente escolar seguro, eficiente e que priorize resultados. E o Ceará, mesmo fazendo o dever de casa, ainda precisa avançar para evitar a tragédia da evasão escolar no ensino médio. Melhoramos na qualidade da educação no ensino fundamental – o município de Sobral é um exemplo desse esforço – mas o desafio de manter os jovens no ensino médio ainda é um grande obstáculo. A evasão escolar traz prejuízos não apenas para os jovens como também para a sociedade porque afeta uma população que ainda está em idade de formação, prestes a entrar no mercado de trabalho.
O resultado é expresso em uma mão de obra desqualificada, despejada para um mercado de trabalho cada vez mais restrito e exigente. Em São Paulo, recentemente um mutirão de empregos ofertou 15 mil vagas, mas nem todas foram preenchidas devido à falta de qualificação dos candidatos. Em meio a essa multidão, muitos jovens da geração Nem-Nem (não trabalham e nem estudam), têm dificuldade de se expressar, de fazer contas, sem conhecimentos básicos em informática e inglês e poucos anos de estudo. Lá, o governador João Dória, do PSDB, em uma decisão lamentável, não aderiu inicialmente à proposta das escolas cívico-militares, mas diante das críticas recuou e pediu a inclusão ao projeto. Antes tarde do que nunca.
No Ceará, contrariando as diretrizes políticas dos demais estados nordestinos, caminhamos para fortalecer cada vez mais nosso modelo de educação pública, aumentar nossas escolas de tempo integral, investir cada vez mais nos alunos e professores e melhorar os resultados. Isso é o que importa, o resto é guerrilha ideológica.

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