Expert 2019: Investimentos e o Futuro do Brasil, por Igor Macedo de Lucena

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Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

Estive presente nos dias 5 e 6 de julho em um dos maiores eventos de investimentos do mundo, o Expert 2019. Além da presença das maiores gestoras de recursos do Brasil, o evento contou com um ciclo de palestras com agentes do mercado financeiro, da política, da economia e do mundo dos negócios.
Estratégias de investimento a parte fui capaz de assistir a palestras de Jorge Paulo Lemann, Guilherme Benchimol, Alexandre Schwartsman, Roberto Barroso, Luciano Hang, Luiz Fux, Gerson Camarotti, Rodrigo Maia e em especial a participação do ex-presidente do Federal Reserve (Banco Central americano) Ben Bernanke.
A participação de Bernanke foi o ponto alto do primeiro dia o qual compartilhou com os presentes como foram os dias que sucederam o início da crise financeira global de 2008 e quais foram suas atitudes para manter vivo o sistema financeiro global. Dentro de uma análise mais atual ele ressaltou a robustez da economia americana e alguns problemas da global, contudo sem grandes alardes. O que tira seu sono a noite é a questão geoeconômica como as guerras comercias e as disputas geopolíticas com a Rússia que se intensificam diariamente. Esses sim são os maiores problemas e as possíveis causas de uma nova crise global, e infelizmente o Brasil ainda está longe de estar protegido contra possíveis efeitos de um novo “meltdown”.
Dentre todos os debates ocorridos naqueles dias, independente dos palestrantes e dos temas havia uma visão clara de que a reforma da previdência será aprovada. Não se sabe a data ou o valor total da reforma, mas foi um consenso entre os palestrantes que esse atual sistema de previdência e assistência estava com os dias contados. Dito isso não havia tanto otimismo imediato em relação a esse tema, pois a aprovação da reforma garante apenas que iremos no médio prazo parar os déficits fiscais gigantescos que travam o investimento público e privado.
Mas o que mais é preciso para o Brasil voltar a crescer? Esse era o principal debate, inclusive abordados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. O chamado Day-After da reforma da previdência em Brasília já era discutido e sem cerimônias. O Brasil deve ter, desta vez em definitivo, uma reforma tributária. Como ela se dará ainda é um caminho aberto, mas já conta com propostas de um IVA (Imposto de Valor Agregado) e com uma simplificação no sistema de arrecadação, principalmente no âmbito federal.
Devido a assinatura do tratado de livre comércio do Mercosul e da União Europeia, a sua ratificação pelos Estados membros e o avanço de novos acordos com países como Singapura, Japão e Canadá, o Brasil se auto impôs seu deadline. Ou se faz as reformas tributárias para aumentar a competitividade das empresas brasileiras e diminuir o peso do Estado na produção nacional ou perderemos o mercado nacional para produtos importados de países que já fizeram o dever de casa.
A câmara dos deputados já possui sua proposta em debate e o governo deve apresentar a dele ainda neste ano. Dentro de uma reforma tributária o maior desafio é convencer Estados ou municípios que perderão receitas em detrimento de outros tipos de impostos e um novo modelo de pactuação e compartilhamento, que deve em tese acabar com a velha história do prefeito ou governador viajando a Brasília com o “pires na mão” em busca de recursos para suas cidades.
O ambiente entretanto era de otimismo. A percepção de que o Brasil já havia chegado ao fundo do poço e que essa fora a maior crise econômica nos nossos 519 anos gerou para a maioria da população o sentimento de necessidade de reformar o Estado. A visão de países como o Chile e a Colômbia que se aprofundaram em políticas liberais e hoje crescem com força o seu PIB per capita invejam os brasileiros, amarrados a um Estado antigo e incapaz de atender as necessidades da população.
O Expert 2019 foi não só uma explicação de como chegamos até esse estado, mas quais são as oportunidades para agentes públicos e privados investirem em si mesmos e no futuro do Brasil.
 
O conteúdo do texto é de inteira responsabilidade do(a) autor(a) e não necessariamente reflete o ponto de vista do Focus.

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