Letramento digital e científico: Chaves para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial; Por Adriana Rolim

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Vivemos um momento em que a tecnologia, especialmente a inteligência artificial (IA), transforma rapidamente o mundo do trabalho e a forma como acessamos e processamos informações. Nesse contexto, o letramento digital e o letramento científico emergem como habilidades essenciais para que as pessoas possam compreender, questionar e agir de maneira consciente diante dessas mudanças.

O letramento digital vai além da simples habilidade técnica de usar dispositivos eletrônicos. Trata-se da capacidade crítica de navegar, interpretar e produzir informações em ambientes digitais complexos. Por sua vez, o letramento científico complementa essa visão, ao promover a compreensão dos métodos e princípios científicos que sustentam as tecnologias atuais, incluindo a IA, estimulando o pensamento crítico e a análise baseada em evidências.

No Brasil, entretanto, ainda enfrentamos desafios relevantes nesse campo. Dados da OCDE indicam que cerca de 30% da população brasileira adulta possuem habilidades digitais básicas, enquanto em países como Coreia do Sul, Finlândia e Canadá essa proporção ultrapassa os 70%. Além disso, o ensino de ciências e tecnologia no país carece de investimentos e atualização, comprometendo a formação de um letramento científico capaz de acompanhar as inovações tecnológicas.

Essa desigualdade tem impacto direto na capacidade do Brasil de competir no mercado global, cada vez mais orientado por tecnologias avançadas e processos automatizados. Em países com maior investimento em educação digital e científica, o(a)s trabalhadore(a)s estão mais preparado(a)s para lidar com a IA, adaptando-se com agilidade às transformações e aproveitando as novas oportunidades que surgem.

A interseção entre letramento digital e científico é, portanto, fundamental para que não sejamos meros consumidores passivos da tecnologia, mas agentes ativos que compreendem suas limitações e potencialidades. Por exemplo, entender como algoritmos são desenvolvidos e os possíveis vieses que podem conter contribui para evitar decisões automatizadas injustas ou equivocadas.

Além disso, o letramento científico fortalece a capacidade de adaptação em um mercado dinâmico, que exige atualização constante e compreensão de conceitos complexos. Num cenário em que profissões podem desaparecer ou se transformar radicalmente, a habilidade de aprender, questionar e aplicar conhecimentos científicos e digitais será um diferencial decisivo.

Investir em uma educação que articule esses dois letramentos é preparar a sociedade para um futuro em que a inteligência artificial seja uma ferramenta de inclusão e inovação, e não um fator de exclusão. O futuro do trabalho dependerá da nossa capacidade de formar cidadãos críticos, conscientes e aptos a enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades da era digital e científica.

Adriana Rolim é farmacêutica, doutora em Farmacologia. Docente e Pesquisadora da Universidade de Fortaleza. Foto: Divulgação

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