Mercado eleva projeção do PIB, mas inflação segue acima da meta

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

Mercado financeiro

O fato: O mercado financeiro elevou a previsão de crescimento da economia brasileira em 2025. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) subiu de 2,13% para 2,18%. Apesar da revisão otimista, o relatório semanal indica um cenário de instabilidade, com inflação acima do teto da meta e juros em patamar elevado.

Quatro anos de crescimento, puxados pelo agro: Os dados do IBGE mostram que o Brasil entrou em 2025 mantendo a trajetória de crescimento. No primeiro trimestre, a economia avançou 1,4%, impulsionada principalmente pelo desempenho da agropecuária. Em 2024, o PIB havia registrado alta de 3,4%. É o quarto ano consecutivo de crescimento, com o maior avanço desde 2021, quando o PIB cresceu 4,8%.

Para os anos seguintes, as expectativas são mais modestas: o Focus projeta crescimento de 1,81% em 2026 e 2% em 2027 e 2028.

Inflação fora do controle: A inflação continua como o principal ponto de atenção. A projeção para o IPCA em 2025 recuou levemente de 5,46% para 5,44%, mas ainda supera o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. O centro da meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A pressão inflacionária vem, sobretudo, dos alimentos e produtos farmacêuticos. Em abril, o IPCA foi de 0,43%, marcando o segundo mês seguido de desaceleração. Mesmo assim, o índice acumulado em 12 meses está em 5,53%.

A prévia da inflação oficial de maio, medida pelo IPCA-15, ficou em 0,36%. O resultado final de maio será divulgado amanhã pelo IBGE.

Juros altos para conter inflação: Diante do desvio da inflação em relação à meta, o Banco Central mantém o freio nos juros. A taxa Selic foi elevada para 14,75% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com um aumento de 0,5 ponto percentual — o sexto consecutivo em um ciclo de aperto monetário.

A sinalização do BC é de cautela. O Copom afirmou que o “clima de incerteza permanece alto” e que exigirá “prudência” nas próximas decisões. O mercado prevê que a Selic será mantida nesse patamar até o fim de 2025, com quedas graduais a partir de 2026: 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

Crédito mais caro, crescimento sob risco: A manutenção de juros altos tem como objetivo esfriar a economia para conter a inflação. Mas os efeitos colaterais são evidentes: o crédito fica mais caro, o consumo desacelera e a expansão econômica perde fôlego. Além da Selic, os bancos consideram outros fatores na composição das taxas, como inadimplência, despesas administrativas e margem de lucro.

O dólar também é motivo de atenção. A expectativa é que a moeda americana encerre 2025 em R$ 5,80 e chegue a R$ 5,89 no fim de 2026. Essa pressão cambial pode agravar o cenário inflacionário, encarecendo importações e insumos.

Sinal amarelo para a política monetária: Com a inflação acima da meta, a Selic em alta e o dólar pressionado, o Banco Central terá de calibrar com precisão os próximos passos da política monetária. O desafio é segurar os preços sem sufocar o crescimento — e, para isso, a autoridade monetária terá que navegar em um ambiente de incertezas internas e externas.

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