À medida em que a eleição de outubro se aproxima, Ciro Gomes (PSDB) tem sido mais e mais interpelado acerca de sua aproximação do bolsonarismo local, de quem era inimigo, e, por tabela, acerca de seu possível apoio ao até agora candidato presidencial desse grupo – ou seja, o voto deles em Ciro para governador produzirá o voto de Ciro em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente?
Ciro Gomes teclará 22 para presidente como o fez para prefeito de Fortaleza, em 2024?
Nos últimos dias intensificaram-se declarações de lado a lado com uma só resposta: NÃO!
A primeira delas, e a mais importante, colhida por uma repórter da ANC Notícias logo após o lançamento da candidatura de Ciro no sábado passado (16/05), veio do deputado federal André Fernandes (PL): “o palanque de Flávio Bolsonaro no Ceará é Alcides Fernandes“.
A declaração confirmou o que o próprio presidenciável já esboçara em rascunho que “vazou” (intencionalmente?) em fevereiro deste ano (e que analisei aqui: https://focuspoder.com.br/ciro-alcides-e-wagner-as-escolhas-de-flavio-bolsonaro/) – nele se via uma anotação à mão indicando expressamente ser o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) o palanque de Flávio no Ceará.
A segunda delas veio da deputada estadual Silvana Pereira (PL), à mesma agência de notícias, e tambpem no sábado: “os bolsonaristas é que estão acompanhando” Ciro, “o PL está entrando na campanha do Ciro para ajudar“, deixando escapar que apoio de Ciro a Flávio seria “no segundo turno” – concluindo: “sou da tropa de Ciro“.
A terceira declaração veio um dos mais radicais opositores dos “Ferreira Gomes” (qualificativo acusatório agora em extinção), na terça-feira (19/05), o deputado estadual Heitor Ferrer (PSDB): “O Ciro, em nenhum momento, acenou para o Flávio Bolsonaro, até porque o Flávio Bolsonaro deverá deixar a possibilidade de ser candidato à Presidência pela ligação que ele tem e teve com o Vorcaro”.
Por fim, nessa sexta-feira (22/05), dia em que católicos celebram Santa Rita de Cássia – a santa das causas impossíveis (?!) -, o próprio candidato tucano ao governo estadual tratou de cravar: “não tem esse acordo. O acordo aqui no Ceará é ao redor da agenda do Ceará”
Bom, o/a nobre leitor/a, assim como eu, deve pensar: o que explicaria a aproximação e a entrega do capital eleitoral do bolsonarismo local à Ciro Gomes na disputa pelo governo estadual sem um acordo de mão dupla pelo apoio à campanha presidencial?
Sem esse acordo, está o bolsonarismo local a dizer que tanto faz quem vença a corrida pela Palácio do Planalto?
Simples: o interesse político de André Fernandes, comandante do PL estadual. Não tendo idade para disputar Governo ou Senado Federal, cravou o pé em cima da indicação do nome de seu pai – sim, Alcides é “o pai do André” – à disputa senatorial, almejando espraiar o espaço político ocupado pelo sobrenome Fernandes na política institucional. Sua quase certa reeleição juntar-se-ia à eleição do pai e a de algum nome por ele indicado à “sua” vaga na ALECE, por hora ocupada pelo “pai”.
Na mesma entrevista que deu à ANC, a deputada Silvana diz que a aproximação com Ciro tem a ver, também, com outro objetivo: “fazermos o nosso senador Alcides Fernandes”.
Pois é, Ciro não se aproximou do bolsonarismo tout court, mesmo porque há no interior deste resistências importantes – Priscila Costa, Eduardo Girão e Michelle Bolsonaro.
Foi do fernandismo que Ciro se aproximou.
Ironicamente, André vocalizou em muitos momentos a oposição à “família Ferreira Gomes”; agora, aproxima-se irrestritamente do mais importante dos Ferreira Gomes para sedimentar a legitimação e ampliação de um novo sobrenome na política: Fernandes vem aí (?!).







