Nas eleições 2020, não será suficiente dizer que é honesto, por Maurício Garcia

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Maurício Garcia é sociólogo graduado pela FFLCH-USP, tem pós-graduação pela Fundação Escola de Sociologia de São Paulo (onde já lecionou) e pela ECA-USP (em marketing). Trabalhou mais de 20 anos no IBOPE, maior instituto de pesquisa da América Latina e como pesquisador é associado à Wapor (World Association for Public Opinion), tendo participado de diversos congressos da entidade pelo mundo. Também como pesquisador, foi vencedor do Prêmio Alfredo Carmo, oferecido pela ABEP (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa), como melhor trabalho no 7º congresso da entidade com o estudo “A eleição para deputados em 2014 – Uma nova Câmara, um novo país”. Garcia é o mais novo articulista Focus.

Meu xará, amigo e parceiro em alguns projetos de pesquisa, Maurício Moura, CEO do instituto Ideia Big Data, recentemente publicou artigo no BR18 sobre o atual momento da opinião pública brasileira. Para ele, em 2020 teremos uma “ressaca da narrativa disruptiva”. Nesse cenário, os candidatos que querem vencer, além de mostrar que são honestos, deverão também se mostrar como “capazes de administrar e resolver os problemas do dia-a-dia das cidades”. Sintetizando, em 2020, só dizer que é diferente de tudo o que está aí, como foi no ano passado, não será garantia de boa votação, será preciso ir além.
Concordo com ele. Mas essa diferença não é consequência de uma mudança de humor do eleitor brasileiro, mas sim decorrência de uma eleição em outra esfera. Naturalmente, independente das turbulências políticas dos últimos anos, as eleições municipais sempre se diferem das eleições estaduais e nacionais. As temáticas em eleições municipais são mais próximas dos eleitores. As pessoas querem discutir o lixo na sua porta, a falta de posto de saúde no seu bairro, a condição da escola de ensino fundamental onde seus filhos estudam, os buracos da sua rua, o ônibus que está em péssimas condições e que demora a chegar na parada e que quando chega está superlotado. Esses serão os temas mais importantes agenda das eleições municipais nas mais de 5 mil cidades brasileiras, com raras exceções.
Outra diferença significativa é a proximidade do eleitor com os candidatos. Ano que vem, é muito provável que a maioria dos candidatos a prefeito passe pela sua rua, ou até batam na sua casa e queiram conversar com você. Mesmo que não seja para resolver seus problemas, mas para pelo menos para prometer a solução (ou pelo menos justificá-la) e pedir seu voto. Sem falar dos candidatos a vereador que estarão batendo o ponto várias vezes na sua porta a todo instante. Nas eleições estaduais e nacionais ninguém espera ver um candidato a governador, deputado ou presidente passando pela sua rua. Por isso, naturalmente, em eleição municipal, como a do ano que vem, é só abrir a porta para que os temas e os atores da eleição (literalmente) invadam nossa casa.
Apesar da predominância de temas locais em eleições para prefeitos e vereadores, não podemos negar que questões econômicas nacionais que afetam a sobrevivência dos eleitores (como o desemprego) não estarão em pauta no ano que vem. Nesse momento, todos estão à espera de uma recuperação econômica do país, para que possamos diminuir o elevado desemprego e trazer mais esperanças, tanto para os trabalhadores, quanto para os empresários. Tudo dependerá de como a economia reagirá às recentes reformas. Esse tema é complexo e merece um próximo artigo exclusivo sobre ele. Fica a promessa da continuidade do nosso papo no Focus.jor sobre a opinião pública. Estarei, de agora em diante, sempre por aqui. Até mais.

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