O avanço (governista?) do PSD

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Em texto publicado na coluna dos jornalistas Iander Portella e Rosean Kennedy, no Estadão, no último final de semana, ficamos a saber o seguinte:

O PSD elegeu como um dos principais focos nas eleições de 2026 elevar seu cacife em todo o Nordeste, principal reduto do PT.  O partido de Gilberto Kassab quer ampliar o número de deputados estaduais e federais, além de senadores, para turbinar sua capilaridade e se tornar cada vez mais indispensável no xadrez da região. Cabeça de chapa não é prioridade, apesar de ter voo solo para governos estaduais no radar. A estratégia desenhada pela sigla inclui filiar políticos locais, sem fechar a porta para alianças estratégicas. Em alguns Estados, como Bahia, Ceará e Piauí, a legenda estará no palanque de petistas, com acordos já bem consolidados. O mais importante, ressaltam seus interlocutores, é expandir a presença no Legislativo para ter cada vez mais recursos dos fundos partidário e eleitoral, tempo de TV e poder de influência no Congresso Nacional“.

Como se vê, o PSD conta, para sua expansão, com o auxílio do PT, que almeja cabeças de chapa nas disputas estaduais e, por óbvio, a cabeça da chapa presidencial, enquanto o partido de Kassab busca posições de vices e cadeiras legislativas, pois sabe bem onde é que o poder, de fato, é exercido.

A relação do PSD com o PT, ou com parte dele, precede sua fundação. Quem não lembra das articulações, ali no governo Dilma, entre caciques do governismo para, juntos, fundarem uma agremiação que esvaziasse o poder do velho PMDB? O fruto, eis aí, é o PSD, que, de fato, esvaziou o MDB mas sem jogar poder no PT; pelo contrário, acumulou para si.

Pois bem, sabiamente, o partido busca crescer no Nordeste, antigo bastião do PFL e do MDB, e que agora vai ameaçando a hegemonia lulista.

Ao tratarem do Ceará, os jornalistas dizem que “o PSD deve apoiar a candidatura à reeleição de Elmano de Freitas, do PT, ao governo. Com essa aliança, espera ampliar a bancada na Câmara de três para cinco parlamentares e eleger um senador“.

Senador? Pois é, nos últimos dias o nome do deputado federal Domingos Neto foi incluído na já ampla lista de senatoriais da chapa governista. A família Aguiar já tem um mandato de deputado federal, um mandato de vice-prefeita na capital, uma secretaria estadual, a presidência da CODEVASF, a prefeitura de Tauá e sonha, agora, com um mandato na Câmara Alta. Tudo de mãos dadas com as pretensões da cúpula petista.

Internamente, o partido se divide entre o poder de Domingos Filho e Luís Gastão, que cada vez mais flerta com a ala conservadora do catolicismo (ele preside a Frente Paramentar Católica, que acompanha, em quase tudo, as agendas da Frente Evangélica). Saiu das eleições de 2024 com 16 prefeitos eleitos, atrás do PSB (com 65) e do PT (com 46).

Com o plano de anabolizar-se nos Parlamentos estaduais e no Congresso, visa tornar-se a nova força hegemônica do país, a começar pelo Nordeste. Tudo isso de mãos dadas com o governismo (petista).

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