O caso Maracanaú e a política com "p" minúsculo

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
Tem forte conotação política o lamentável imbróglio que causou a substituição de Maracanaú pela cidade de Paulista, em Pernambuco, no âmbito do programa de segurança modelo montado pelo juiz Sérgio Moro. Política menor, diga-se. Afinal, a conta é a seguinte: o Ceará e, em específico, Maracanaú perderam milhões em investimentos federais que seriam usados na implantação do projeto piloto planejado para ser referência no País e, na sequência, ser replicado para outras cidades.
A coisa está assim: o secretário de Segurança do Ceará, André Costa, insinua que a opção por Maracanaú foi nutrida por interesses políticos. Daí, a justificativa do seu desinteresse. Do outro lado, o responsável direto pelo projeto, o general Guilherme Theóphilo, diz que a escolha foi técnica. Porém, é muito provável que a relação do general com os tucanos, mais propriamente com o deputado federal Roberto Pessoa, ex-prefeito da cidade, tenha pesado na escolha.
Mas, fica a pergunta: a possível simpatia política do general por Maracanaú é motivo adequado para o Governo do Estado adotar a má vontade e o não empenho para com o projeto? E se fosse Caucaia a escolhida, teria o Estado boa vontade? Ou Sobral? Provavelmente, a conversa teria sido outra. São cidades controladas por aliados do grupo que detém a hegemonia no comando político do Governo.
O problema se deu a partir de uma reunião em Fortaleza entre representantes do Estado, do Governo Federal e da Prefeitura de Maracanaú.
André Costa argumentou para o jornal O Povo que faltou “apresentar os indicadores e os dados da região Nordeste para justificar o porquê de Maracanaú”. Não se trata de um bom argumento. Mesmo sem tais indicadores, certamente o secretário André Costa não é capaz de juntar argumentos para dizer que Maracanaú não era uma cidade adequada para receber o projeto.
Por sua vez, Theóphilo disse que foi Camilo Santana “que não colaborou”. “Foi marcada uma reunião e ele não compareceu e não mandou ninguém. Só mandou o secretário da Segurança”, disse o general. Também não é um bom argumento.
O fato é que, claramente, o Estado não se dedicou à ideia como deveria e o General achou isso o suficiente para retirar Maracanaú da lista de cinco cidades do País que vão receber o projeto. É uma pena.
Presente na reunião de 12 de março, em Fortaleza, com a presença de André Costa e do segundo homem da pasta comandada pelo general Theóphilo, o brigadeiro Fernando Almeida Riomar, o prefeito de Maracanaú, Firmo Camurça, comemorou em seu Facebook o resultado do encontro: “Tenho uma ótima notícia para os maracanauenses. Nosso Município foi um dos cinco escolhidos pelo Governo Federal, em todo País, para participar da implantação do Plano Nacional de Enfrentamento aos Crimes Violentos”.
O prefeito relatou ainda que “os critérios para escolha das cidades, inclusive Maracanaú, foram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a população e os indicadores de violência”. Pois é. Depois desse encontro, a coisa, na verdade, degringolou.
Curiosamente, se perder em questiúnculas de cunho político não tem sido a postura adotada pelo governador Camilo Santana. Muito pelo contrário. Em nome dos melhores interesses do Ceará, Camilo tem se notabilizado por ter a habilidade de abrir o leque de conversas quando a questão é importante para o Estado. Foi isso que o fez abrir frentes de conversas com Tasso Jereissati (nos dois anos iniciais de sua primeira gestão) e com Eunício Oliveira (nos dois anos finais).
É bom lembrar que, na grave crise de segurança em janeiro, marcada por atentados terroristas no Ceará, Camilo pediu ajuda federal tanto para o policiamento das ruas quanto para o controle dos presídios, de onde emanavam as ordens do crime. Pediu e foi prontamente atendido.
O caso de Maracanaú foi um lamentável episódio. Parece ter havido falta de grandeza dos dois lados em questão. Sabe-se que a questão da segurança pública continua como ponto chave no processo político-eleitoral.
Não custa lembrar: o projeto piloto que saiu do Ceará para Pernambuco, cujo governador o recebeu com pompas e circunstâncias, se baseia em uma ampla articulação intersetorial com ações e programas em diversas áreas como Educação, Saúde, Geração de Emprego e Desenvolvimento Regional.
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