O Terrorismo e a Economia, por Igor Macedo de Lucena

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Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

O terrorismo é, no sentido mais amplo, o uso de violência intencional, geralmente contra civis, para fins políticos. É usado nesse sentido principalmente para se referir à violência durante o tempo de paz ou em contexto de guerra contra a população civil. Os termos “terrorista” e “terrorismo” se originaram durante a Revolução Francesa do final do século XVIII, mas ganharam popularidade nos anos 70 em noticiários e livros sobre os conflitos na Irlanda do Norte com o IRA, no País Basco com o ETA e na região da Palestina. O aumento do uso de ataques suicidas a partir da década de 1980 foi intensificado e o mundo ficou marcado pelos ataques de 11 de setembro na cidade de Nova York e Washington, DC em 2001.
O termo terrorista foi usado pela primeira vez em 1794 pelo filósofo francês François-Noël Babeuf, que denunciou o regime jacobino de Robespierre como uma ditadura. Algumas atitudes dos escritores sobre a Revolução Francesa tornaram-se menos favoráveis ​​após o fim da monarquia francesa em 1792. Durante o Reinado do Terror, que começou em julho de 1793 e durou treze meses, Paris foi governada pelo Comitê de Segurança Pública, que supervisionava um regime de execuções em massa e expurgos públicos, podendo ser até chamado de terrorismo nacional.
Os terroristas admitem que a mutilação e matança de alvos “inocentes” viola os direitos humanos básicos, mas eles insistem em que essas ações são justificadas porque são projetadas para evitar um mal maior: a opressão brutal, as graves injustiças e a exploração da vida de seus próprios povos pelos donos do poder.
Do ponto de vista principal, o terrorista procura através dos atos de violência contra a população civil deslegitimar o atual Estado e o governo existente, de modo que o povo se insurja contra os atuais governantes e promovam uma suposta “revolução” para acabar com a onda de violência e colocar no lugar um suposto governo mais justo.
John Stuart Mill afirmou que existem fatores que podem justificar moralmente a violência política. Na sua visão se reflete aquela violência sobre uma causa que é justa e que há probabilidade de sucesso no desdobramento da violência. A definição de “sucesso” de Stuart Mill é semelhante à exigida pelo nexo de causa ou necessidade. A questão é se a ação violenta será causalmente eficaz na mudança da sociedade, diretamente ou a longo prazo.
Em teoria o terrorismo tem um impacto significativo nos regimes democráticos porque o eleitorado pode induzir mudanças de política, incluindo concessões a terroristas, para pôr fim aos ataques violentos, e pode até punir governos em exercício como resposta aos ataques. Na tese final dos terroristas, o governo atual deve ser substituído por um governo mais forte, onde os terroristas seriam os novos dirigentes do poder do Estado.
A subversão da visão terrorista é um problema gigante do ponto de vista do desenvolvimento econômico pois o terrorismo impede o crescimento econômico, prejudicando a infraestrutura, o comércio exterior, o investimento estrangeiro, a poupança interna, a taxa de câmbio, o turismo e a formação de capital nacional, e aumentando a inflação, a fuga de cérebros, a fuga de capitais, o ônus da dívida e os gastos do governo. O Terrorismo gera incerteza e a incerteza causa desconfiança, o que impede o investimento público, privado e estrangeiro.
As sociedades totalitárias, ao contrário das democracias, não oferecem espaço para o terrorismo, tendo em vista que este sistema não reconhece a importância dos direitos básicos e individuais dos civis. No entanto, o ponto a ser observado é que, na ordem internacional globalizada de hoje, as atividades terroristas não estão confinadas apenas no território das sociedades liberais, mas também são vistas em muitas partes do planeta que incluem sociedades não liberais. Talvez a principal diferença seja que regimes totalitários como a Rússia, a China e a Arábia Saudita tratam os terroristas de maneira capital, da trincheira para a forca, sem julgamentos.
O financiamento do terrorismo é hoje denominado como a força vital dos insurgentes violentos. Esse financiamento fornece fundos para atividades terroristas e suas células ao redor do planeta, em muitos casos sendo mais danoso do que esquemas de corrupção. Os terroristas mobilizam valores financeiros usando o sistema bancário formal, sistemas informais de transferência de valor como bitcoins e  outras criptomoedas. Eles podem arrecadar fundos de fontes legítimas, como doações pessoais, lucros de empresas, organizações de caridade, bem como de fontes criminosas, como o tráfico de drogas, o contrabando de armas, tráfico de pessoas, fraudes, sequestros e extorsões.
Combater o financiamento do terrorismo é hoje um desafio muito grande em todo o mundo, entretanto é um entrave para a maior interligação entre o setor financeiro mundial, pois torna muito mais difícil as instituições financeiras conhecerem seus clientes e suas reais fontes de renda. Hoje o terrorismo já criou raízes em todas as nações do planeta, inclusive no nosso Ceará, onde acompanhamos nos últimos anos ações terroristas contra o Estado e vitimando grande parte da população civil, direta ou indiretamente. Não estamos acostumados com esse tipo de violência, entretanto seus efeitos negativos são impactantes na economia de nosso Estado, em bens públicos e privados, e principalmente nas fatalidades contra nosso povo.
O terrorismo é uma mazela que deve ser extirpada da sociedade brasileira, caso contrário seremos todos reféns do medo do futuro.

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