Ortografia e a Justiça, por Edson Santana

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Edson Santana é advogado e sócio do Escritório Santana, Maia e Pessoa Advogados (edsonsantana@smpadvogados.com)

Por Edson Santana
Relatam velhas histórias, contadas nos balcões do fórum, que um advogado havia endereçado sua petição ao “Esselentíssimo Juíz de Direito”. Isso mesmo, ortograficamente redigida com dois ss. A petição ao chegar ao destino foi ridicularizada e indeferida de imediato.
Não sabia o magistrado, mas o aparente equívoco gramatical tratava-se de intencional crítica a morosidade da justiça. Justo a morosidade, essa palavra recorrente e tão lembrada nos muitos discursos que encantam pelo teor mas infrutíferos pela desfaçatez dos pobres de espírito. A verdade, é que enquanto não houver uma decisão, por parte das instituições públicas, no sentido de priorizar o essencial em nosso País, como a justiça, que é certamente meio pelo qual as camadas mais pobres podem fazer prevalecer suas garantias constitucionais, continuaremos vivendo em um oceano de devaneios.
Há quem fale que diante da burocracia dispensada pelas instituições públicas o Judiciário, dentre os três poderes, consegue ser o mais célere, pois é o Poder que legisla sem mandato e que executa sem precisar de aprovação. Ora, será? Inegável mesmo é afirmar que milhares de pessoas no Ceará e no Brasil aguardam decisões importantes, capazes de solucionar seus conflitos e mudar suas vidas, todavia processos e mais processos acumulam-se diante de secretarias mal aparelhadas, com escassez de servidores, poucos juízes e em alguns casos, advogados maltratados.
Não se pode, é claro, atribuir genericamente os problemas da lentíssima justiça aos magistrados e servidores, que as vezes têm que se virar em múltiplas pessoas para fazer seu trabalho, nem tampouco rotular como desídia desses heróis da resistência, mas é de conhecimento público a existência de estatísticas oficiais, que apontam o desempenho de varas da justiça, e que em alguns casos chegam a desapontar os jurisdicionados, pela quantidade reduzida de julgados.
Por outro lado, mesmo combatendo solitariamente, o advogado bravamente entrincheira desafios hercúleos, todos os dias, na defesa cívica e dos que mais precisam, honram a pátria e se portam como garantidores da democracia, se submetem a insalubridade dos fóruns, a esperas angustiantes das decisões e das audiências, e mesmo assim são capazes de nunca desistir, motivam-se pelo desejo de que a justiça prevaleça se portando como parceiros de primeira hora da sociedade.
Que o mês dos advogados, reforce a mesma galhardia de 1827, quando os dois primeiros cursos de direitos foram instalados no Brasil, possa nem que singelamente, servir para o reconhecimento de tanto esforço e abnegação, mas também para renovar a esperança de que os conhecidos e novos problemas sejam solucionados.
Que os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e a advocacia andem de mãos dadas, construindo a sonhada justiça eficaz, para que assim a ortografia e as regras gramaticais prevaleçam mesmo diante da anedota.
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