Precisamos abolir o preconceito, por Rafael Mota Reis

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Rafael Mota Reis é advogado e formando do processo RenovaBR Cidades 2020.

Neste ano, aproximamos da marca de 137 anos da abolição da escravatura havida em 1º de janeiro de 1883, na cidade de Redenção (antiga Vila Acarape), no interior do nosso Ceará. Entretanto, apesar da marca de pioneiros que nos lega a alcunha de Terra da Luz, ainda parecemos distantes de uma genuína emancipação da comunidade negra em nossa sociedade.Essa constatação, apesar de facilmente sentida e atestada por quem tem na cor a vivência, é mais facilmente percebida quando apresentamos números concretos. Vamos então aos recentes dados, dos mais variados institutos, para analisarmos o atual contexto.Em pesquisa recente, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há constatação de que, pela primeira vez, os estudantes negros são maioria dentro das universidades públicas; aumento considerável levado, principalmente, pela política de cotas raciais adotadas nos processos seletivos ao Ensino Superior. Segundo dados também recentes, do estudo “A Voz e a Vez – Diversidade no Mercado de Consumo e Empreendedorismo”,do Instituto Locomotiva, o Brasil tem um percentual de 54% de sua população autodeclarada negra ou parda.
Em todo o país, as 114,8 milhões de pessoas movimentam R$ 1,7 trilhão por ano. Se formassem uma nação independente, tal cifra seria suficiente para alçá-la à posição de 17º país do mundo em consumo. Esse gigante mercado consumidor deve ser analisado de forma qualitativa. É que dados do mesmo estudo do Instituto Locomotiva também apresentam que 67% dos consumidores negros preferem marcas e empresas que tenham valores parecidos com os seus.
E isso tem consequência imediata no faturamento das empresas que souberam aproveitar essa fatia de mercado. Estudos da McKinsey&Company apontam que a adoção de diversidade étnica e cultural no local de trabalho resulta em performance financeira superior, em termos de lucros antes de juros e impostos, no percentual de 33%!
Apesar da força que tais números representam, a média da renda de um trabalhador branco é 73,9% superior ao salário de um trabalhador negro.A situação se agrava ao analisar o nicho específico dos empreendedores:enquanto o empreendedor branco, em média, declara receber R$ 2.827 pelo seu trabalho, o empreendedor negro declara rendimento médio de R$ 1.420. É quase metade da remuneração.
Esse é o reflexo de uma sociedade que ainda não aboliu o preconceito e a discriminação de raça, e precisa evoluir muito para garantir isonomia e justiça social.

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