Qual a OAB/CE que queremos? Por Gabriel Brandão

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Gabriel Brandão é advogado, sócio da Newton Padilha & Gabriel Brandão Advogados, 2º vice-presidente da Comissão de Acesso à Justiça da OAB/CE, diretor da Associação Brasileira de Advogados Criminalistas do Ceará. Foto: Divulgação

Considerando que estamos vivenciando, atualmente, período de pré-campanha eleitoral à Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará, é bastante oportuno fazermos uma honesta e desapaixonada reflexão acerca da entidade que temos e a entidade que queremos.

Nada obstante do atual comandante-mor da nossa gloriosa Ordem gozar do meu respeito, lamentavelmente, esse debate aponta para duas perspectivas bem distintas. Isso porque, a preço de hoje, a atuação da OAB/CE, mormente nessa época de grave crise econômica causada pela pandemia da Covid-19, deixa muito a desejar na sua finalidade precípua, como, por exemplo, na defesa intransigente das prerrogativas profissionais e pela célere administração da justiça.

Tornou-se comum presenciarmos, na lida diária, desrespeitos sistemáticos, por agentes públicos, às nossas prerrogativas, sem que houvesse uma resposta enérgica da Ordem cearense, na medida em que a sua atuação se resume apenas em meras notas de repúdio ou, quando muito, realização de desagravos ineficazes na sua própria sede, causando um sentimento não só de impunidade aos detratores, mas também de estímulo à novas violações.

Ademais, no plano administrativo-financeiro, mesmo diante dos sonoros anseios da classe em medidas para amenizar os duros impactos da pandemia, a diretoria da OAB/CE não tomou nenhuma providência efetiva que atenuasse a crise vivenciada por todos.

Destarte, ante esse cenário de inequívoca omissão da nossa entidade, cresce, de forma natural, o movimento “Muda OAB”, encabeçado por advogados e advogadas que clamam por mudanças de postura, que tem como objetivo a discussão construtiva de ideias para a criação de um projeto renovador para a OAB alencarina, que contemple a atenuação dos efeitos da pandemia na advocacia, a atuação da mulher advogada no mercado, a atuação dos jovens advogados e, sobretudo, a defesa das prerrogativas e a solução dos entraves para o exercício da profissão.

É tempo de união para resgatar a Ordem em favor da classe, corrigindo o seu rumo e tornando-a, novamente, independente, ética, forte e comprometida com a advocacia.

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