
Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
Com os olhos bem focados no quadro social e econômico que se desenha no Brasil pela pandemia, a M.Dias Branco, líder absoluta no setor de massas e biscoitos, projeta um futuro com o País em recessão e, portanto, com um consumidor mais austero em suas escolhas. Esse entendimento é a chave para os movimentos que a empresa vem adotando, fato que já a fez recuperar parte significativa do valor de suas ações ao obter um resultado financeiro auspicioso no primeiro semestre de 2020 (saiba mais aqui).
A estratégia comercial é simples e sinaliza o porvir: com a economia no respirador e as famílias com menos caixa, os consumidores passarão a comprar produtos de menor valor agregado. Nessas horas, a compra de alimentos é prioridade e, evidentemente, os produtos com preços mais atrativos sobem na prateleira dos supermercados para ficar rente aos olhos dos consumidores.
A M. Dias Branco tem um portfolio amplo de produtos que atendem a todos os gostos e bolsos. Porém, a força de vendas vem exatamente dos produtos que mais se enquadram no duro cenário da economia brasileira. São 19 marcas que cobrem mais de 90% dos preços disponíveis do mercado. Por isso, a empresa vai, naturalmente, capturar qualquer movimento de migração para produtos de preços mais baixos ou, como é menos provável, mais altos.
“Nosso grande desafio para o segundo trimestre, será o câmbio”. Avisa logo ao Focus o presidente da M. Dias Branco, Ivens Dias Branco Jr. Pois é, o câmbio. A matéria prima principal das massas e biscoitos é o trigo, uma commodity com preços internacionais definidos em dólar. O valor não está subindo no momento. Pelo contrário, até caiu 2% nos últimos dias. Porém, a grande disparidade do câmbio real x dólar explica as preocupações de Ivens Jr.
Veja a entrevista exclusiva do Focus com o presidente da M. Dias Branco.
Focus – O câmbio é desafio que não está no controle do gestor privado. Câmbio lá em cima significa produto mais caro para o consumidor ou a empresa trabalha os custos para não repassar para o preço?
Ivens Jr. – Como estratégia para prevenção e redução dos efeitos da flutuação da taxa de câmbio nos resultados, temos procurado evitar ou minimizar o descasamento entre ativos e passivos indexados em moeda estrangeira, mediante avaliação de contratação de operações de proteção cambial, mais usualmente operações de swap [Nota do editor: para se proteger, a empresa faz a troca do risco das moedas. Assim, quando ocorrer uma variação cambial muito grande, não sofrerá com oscilações em seus lucros. Essa prática é conhecida como operação de swap]. Dessa forma, buscamos manter o equilíbrio da variação cambial nos nossos resultados, de forma a atenuar o repasse de preço ao consumidor, já tão impactado em momentos de crise como esse.
Focus – A M. Dias Branco virou líder, entre outros movimentos, fazendo aquisições. Há novos planos nesse sentido?
Ivens Jr. – A Companhia está sempre atenta para oportunidades de crescimento de forma orgânica e inorgânica. Quando tivermos novidades a esse respeito, divulgaremos oportunamente aos nossos acionistas e ao mercado em geral.
Focus – O senhor está liderando a empresa há pouco mais de três anos, após a morte do seu pai, conhecido pela imensa capacidade empreendedora. Como caracterizaria o seu estilo como gestor?
Ivens Jr. – Procuro realizar uma gestão simples e compartilhada. Fazer o simples, embora muitas vezes seja mais difícil, costuma trazer resultados mais perenes e sustentáveis. Compartilhar a gestão, por sua vez, propicia contato com visões e perspectivas diversificadas e complementares, que costumam contribuir para que nossas decisões sejam melhores e mais seguras.







