Renan Calheiros acusa Bolsonaro de usar PF contra adversários políticos e diz que acionará STF

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Renan Calheiros. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

Após ser indiciado por supostos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19, acusou o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) de fazer uso político da Polícia Federal (PF).

O indiciamento se refere ao período em que Calheiros ocupou o cargo de presidente do Senado, entre 2013 e 2015 – uma das três vezes em que esteve na função. Segundo a acusação, o senador teria faturado R$ 1 milhão para apoiar projetos de interesse da empreiteira Odebrechet.

Para o senador, o Governo Federal busca retaliar sua atuação na comissão instalada no Senado Federal para investigar irregularidades no enfrentamento à pandemia. Em entrevista ao Estadão, Renan afirmou que vai acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o indiciamento. Ele alega que a PF não possui competência necessária para indiciar um senador da República, porque a função compete à corte.

“Todas as vezes que a Polícia Federal indiciou senadores eu desfiz no Supremo o indiciamento, quando fui presidente do Senado. Isso é abuso de autoridade. Vou acionar [o Supremo], não pode. Com relação ao mérito, o diretor [da PF] me isentou completamente. Não tem nada a ver, não tem prova, é só retaliação”, afirmou Renan ao Estadão.

Renan disse que setores da PF “se prestam à utilização política” ao aceitarem dar encaminhamento a um “indiciamento que não existe”.

“O governo vinha acenando com o uso da Polícia. O ministro da Justiça [Anderson Torres] deu declarações insinuando que iria utilizar a PF como polícia política. A Polícia é uma instituição respeitável, mas, infelizmente alguns setores se prestam à utilização política e à retaliação como esta”, afirmou.

A PF diz haver “indícios suficientes de autoria e materialidade”.

Para o senador, a PF realiza um movimento de perseguição: “Não tem nenhuma prova, isso está lá sendo investigado há anos. O diretor que teria feito isso me isentou de qualquer acusação. Não tem nada. É uma retaliação pura, na semana em que eu denunciei a utilização da polícia para fazer o cara da Precisa (Medicamentos) calar”, completou.

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