
Gabriel Amora
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A visita do presidente Bolsonaro (PL) em Fortaleza foi inegavelmente sintomático para todos que o acompanharam naquelas poucas horas. Ele esteve ontem, sábado, 16, na capital, pela primeira vez desde que tomou posse, em 2019, para fazer a sua motociata e para participar da Marcha para Jesus 2022.
Contudo, apesar de breve, a passagem pelo Ceará teve fatos relevantes para todos presentes. Para começar, quando foi permitido a entrada dos eleitores e jornalistas no Aeroporto Velho, os seguranças logo perguntaram se tinha alguém armado no lugar e que era proibido entrar com armas no prédio. Depois disso, foi organizado uma área para a imprensa, no intuito de entrevistá-lo antes ou depois que ele acenasse para os bolsonaristas. Contudo, foi em vão, visto que ele passou direto e foi embora para sua motociata. Diga-se de passagem que o presidente pilotou o transporte sem capacete pelas ruas de Fortaleza.
Com muitos gritos de “Globo Lixo”, “jornalistas vagabundos” e de “Bolsonaro Mito”, os eleitores aguardavam ansiosamente pelo presidente. Eles ficaram duas horas nas grades e o Bolsonaro os cumprimentou em dois minutos.
Já no palanque, o presidente reforçou a sua personalidade de falar sem papas na língua. Lá, ele criticou a atuação dos governadores durante a pandemia de Covid-19 e, além disso, também exaltou a criação do auxílio emergencial.

“Quando muito governadores obrigaram a todos ficar em casa, atendemos aos mais humildes. Nós fizemos a nossa parte. Criamos o auxílio emergencial. Criamos programas para quem perdeu emprego no Brasil”, disse. “Hoje vocês veem a economia reagindo”, pontuou quando criticou os chefes de Estado.
O presidente também, no intuito de destacar que teve um mandato conturbado, ressaltou ainda problemas que, em suas palavras, “vêm de décadas”. “Pegamos um governo com sérios problemas econômicos, éticos e morais. Formamos um gabinete com voluntários e indicação minha, sem interferência, e começamos a trabalhar pelo nosso país”, enfatizou.
Além disso, ele também lembrou do impacto da guerra entre Rússia e a Ucrânia na economia do País, inclusive com consequências para os preços dos combustíveis. Esta semana, vale lembrar, ele disse ter um plano para terminar com o conflito entre os dois países.

Mais que isso: Bolsonaro também falou de aliança. Mesmo que o PL Ceará não tenha decidido qual pré-candidato apoiar ao governo do Estado, o presidente demonstrou a preferência pelo nome de Capitão Wagner (UB). “O Brasil já tem um capitão. Eu tenho certeza que o Ceará também terá um capitão no ano que vem”.
Entretanto, o Capitão não tem exibido a mesma energia que o presidente quando se fala dessa aliança, visto que nos bastidores da pré-candidatura de Wagner, a associação da imagem entre o deputado e Bolsonaro não é das melhores. Além disso, o que se espera é que o próprio palanque de Capitão seja dividido entre Bolsonaro e outros pré-candidatos à presidência da República, dependendo dos outros partidos, como o MDB, de Eunício Oliveira, que apoia abertamente o ex-presidente Lula (PT).
Importante destacar que Wagner, ainda que usasse a blusa com a frase “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, não recebeu o presidente no Aeroporto Velho, não participou da motociata e ficou do lado oposto ao de Bolsonaro no palco do evento. Ele cumprimentou o presidente somente no final do encontro. Tudo fica ainda mais grave quando a ausência do presidente da sigla no Estado, o prefeito Acilon Gonçalves, foi identificada.

Acilon, até agora, não confirmou se a sigla vai, de fato, oficializar candidatura própria ou se vai apoiar Wagner. Capitão, por outro lado, já adiantou e disse que se encontra com o prefeito na próxima quarta-feira, 20.
Apesar disso, o presidente não esteve sozinho no palco. Foram vistos o deputado federal Jaziel Pereira, a deputada estadual Silvana Oliveira e o vereador Carmelo Neto, sendo que este último passou pelo Aeroporto Velho para receber o presidente, cumprimentando uma dúzia de eleitores e também ignorando a imprensa.
Além disso, aproveitando o tom cristão do evento, o presidente reforçou a “defesa da família” e criticou a realização de aborto e que sentiu, passando pelo Ceará e Nordeste, que “o futuro passa por aqui”. Com muitas orações em busca de abençoá-lo, o presidente também destacou uma fala sobre a facada que levou em 2018. Para ele, sua salvação representou também uma solução para o Brasil, o que, consequentemente, foi recebido com muitos aplausos.






