
O historiador e presidente do Instituto CENTEC, Acrísio Sena (PT), em entrevista ao Focus Colloquium, comandada pelo jornalista e editor do Focus.jor, Fábio Campos, fez o que grande maioria dos petistas não arrisca: criticou o partido.
Em um diálogo muito bem-vindo e com uma construção crítica em relação ao caminho tomado por sua sigla, ele cita gargalos que dificultam os passos na disputa interna e o que deveria ser prioridade nas reuniões petistas.
Em declarações polêmicas ao editor Fábio Campos, apontou os seus motivos, problemas e o que espera para 2024: “Precisamos ser rápidos e precisamos já pensar em 2026”.
Confira os principais trechos da entrevista com o ex-vereador:
Pré-candidatura petista
“Dos cinco, só não conversei com a Larissa (Gaspar) ainda. Eu acho um desperdício de tempo e energia qualquer processo de disputa do PT, embora faça parte da tradição do PT. Não acredito que um projeto que tem lideranças, como Lula, Camilo, Elmano, e Guimarães, possa patrocinar algo que internamente para nós vai trazer problemas, dificuldades. Temos candidatura do Sarto, a direita dividida e o PT indefinido. Precisamos decidir logo e com maturidade. Completamos 20 anos da experiência da Luizianne. 20 anos… eu me lembro como se fosse ontem. Eu estava lá, delegado e votei na eleição que escolheu Luizianne. Foi um fato histórico. Então, assim, depois de duas décadas não conseguimos fazer essa construção?”.
Aliados da base
“O PT está no processo como se estivesse só no mundo e temos aliados. Precisamos ouvir esses nove partidos aliados. Se a gente for dar esse tiro pela culatra, pode respingar no Elmano. Precisamos entender que há outros partidos e outros candidatos. Precisamos da maturidade de construir unidade, depois ouvimos aliados e por último nós precisamos também entender que 2024 está colado em 2026. É o primeiro tempo. Vamos pensar que entramos no processo e o nosso desempenho? E se for ruim? E se perdemos? Como fica dois anos depois? Está muito longe, mas é do ponto de vista de entender que é um jogo que exige maturidade política. Esse espírito não pode prevalecer”.
O que precisa ser discutido
“Quais são os desafios? Estão consumidos por esse debate de quem vai ser a pessoa e precisamos superar isso para trazer Fortaleza para o debate. Precisamos de projeto: emprego, juventude, educação, meio ambiente, recuperação das lagoas… devemos superar isso que nos amarra, nessa história de nome. O partido está consumido nesse nome. É inimaginável achar que vamos estabelecer prévias com eleição direta. Imagina nos consumir em uma disputa dessa com o partido com possibilidades de fazer disputa radicalizada. Eu, Acrísio, acredito que devemos fazer um encontro e debater teses e o nome será escolhido a partir disso. Estamos amarrados com essa indefinição e precisamos correr para avançar”.
A atual gestão do prefeito Sarto
“Ele vem em um processo de recuperação de sua imagem em obras, daí alavanca os primeiros sofríveis dois anos de omissão. Ele vem correndo com proposta parecida com Juraci Magalhães, falando que onde abre uma janela tem uma obra. Se vai dar certo, é outra discussão. Enumerei os projetos. Mobilidade, meio ambiente, habitação, estou falando de coisas concretas. A máquina não atende bem o cidadão e não tem qualidade no atendimento“.
Assista novamente ao Focus Colloquium:
Acrísio sobre pré-candidatura do PT em Fortaleza: “Precisamos decidir logo e com maturidade”
“O PT está no processo de pré-candidatura como se estivesse só no mundo”, critica Acrísio
“Ele vem em um processo de recuperação de imagem”, atacou Acrísio em relação ao trabalho de Sarto







