Lúcio Brasileiro e a arte de viver em dois relatos espirituosos de Paulo Elpídio

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Lustosa da Costa, Hélio Barros, Lúcio Brasileiro e Paulo Elpídio: um entardecer nos salões do Ideal Clube, fins da década de 1990.

I – Não serve para cantor, mas para governador…

Noite perdida, numa roda de amigos que teimava por cnão se desfazer, alguém lembrou:

“– Um cantor!”

Como encontrar “um cantor” na madrugada da Beira-mar que não desagradasse as formosas companhias que “seguravam” a noite e para que não fossem embora?

Coube ao Brasileiro a busca de um seresteiro pelas biroscas da vizinhança. Como o gênio da garrafa para as missões impossíveis, lá estava de volta com um violão e o cantor a tira-colo. Gastos e magros, cantor e violão. Faltavam-lindo os incisivos, a moldura de frente que compõe uma cara aceitável.

Ademais era tato!

Pondo-se a dedilhar o vetusto instrumento, viu-se que daquela mata não sairia coelho. As moças davam mostra de inquietação.

O Brasileiro irritado:

“Prezado, para cantor você não serve, daria certo para governador!”

Governava o Ceará por aqueles tempos, no seu primeiro “Veterado”, Virgilio Távora, cujo toque com a pronúncia era notório…

II – Códigos familiares

Conhecêmo-nos mal saídos da adolescência, dominados pelo prestigio da bacharelice. Tornamo-nos, todos, bacharéis à espera de emprego.

Escapar da classe-média era um desafio naqueles tempos. A bacharelice e um patrocinador de talentos eram a chave da solução. Para moleques classe-média como nós, o jornalismo e o serviço público eram o caminho preferido.

O “Brasileiro” e Lustosa, que atendiam à marcação distintíssima de Imprensa, passaram a ser designados na rubrica “editores”.

Hélio, comigo, tornamo-nos “Decano” e “Diretor, extraídos do fundo da burocracia universitária…

Emplumados em face da miragem do reconhecimento social, LC percebeu que nos faltava alguma coisa. Traço nobiliárquico para alcançarmos a categoria “gente-de-bem”. Levou-se a questão ao jovem aspirante da crônica social: o quê fazer?

Simples assim, veio a receita:

” – Vocês vão jogar tênis no Ideal Clube. Como sócios-atletas. Dão uma passada pelo Ruço, da Casa Americana, para provisão do equipamento necessário. Eu dou a notícia na minha coluna. No mais, é só aguardar as deferências. E devolver o enxoval encomendado ao Ruço. Sereis criaturas respeitadas”…

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