Em SP, Ciro sobe o tom nacional e mantém suspense sobre 2026

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Ciro Gomes ao lado de Paulo Serra em encontro do PSDB de São Paulo.

O ex-ministro Ciro Gomes voltou ao centro do debate político com um discurso de alcance nacional, mas sem assumir, ainda, qual será seu papel em 2026.

Em evento do PSDB em São Paulo, Ciro fez críticas duras ao cenário político e econômico do país, apontando o que chamou de “pior momento histórico, sob o ponto de vista estrutural, da vida republicana brasileira”.

Crítica à polarização e recado ao sistema
Em tom de ruptura, o ex-ministro atacou a convergência entre os polos que dominam a política nacional:

“Que polarização é essa em que os dois defendem a mesma política econômica? É tudo igual: Lula 1, Lula 2, Lula 3, Dilma 1, Dilma 2, Bolsonaro, Michel Temer.”

A fala reforça sua tentativa de se reposicionar como alternativa ao eixo PT x bolsonarismo — uma estratégia recorrente em sua trajetória, mas agora com um componente novo: o cansaço explícito.

“O Brasil precisa de uma alternativa. Agora, eu não sei se sou eu, porque eu cansei. Eu perdi a crença nas mediações brasileiras.”

Tucanos defendem Ciro presidente
No encontro, o nome de Ciro Gomes foi defendido abertamente como opção presidencial dentro do PSDB. O ex-senador José Aníbal, um dos últimos quadros da velha guarda tucana, afirmou que o partido precisa ter uma candidatura própria ao Planalto em 2026 e apontou Ciro como o nome mais competitivo para representar essa alternativa fora da polarização dominante.

O vice-presidente nacional do PSDB, Paulo Serra, afirmou que Ciro Gomes representa uma alternativa para tirar o debate político da polarização no Brasil e “levar a política para longe dos extremos”.

Nacional ou Ceará? A dúvida permanece
Apesar do discurso com densidade nacional, Ciro evitou cravar candidatura à Presidência. A decisão foi empurrada para maio, após convite direto de Aécio Neves para que represente o PSDB na disputa.

Em paralelo, segue em aberto a possibilidade de concorrer ao Governo do Ceará — movimento que vinha sendo articulado desde o pós-2022.

A ambiguidade não é casual: Ciro testa terreno em dois tabuleiros.

Tom mais duro e pessoal
O discurso também trouxe um elemento emocional mais explícito, ao revisitar a eleição passada:

“Na última eleição, eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar.”

E, em tom quase confessional:

“Se eu tivesse juízo, não chegaria mais perto dessa quadra política.”

Judiciário, economia e “ruptura”
Ciro também direcionou críticas ao Judiciário, apontando “compadrio” nas indicações ao Supremo, e voltou a defender uma agenda econômica com ruptura do modelo atual.

Entre os temas destacados, chamou atenção para as terras raras, classificadas como “o petróleo do século XXI” — sinalizando preocupação estratégica com o posicionamento do Brasil na economia global.

Movimento calculado
O evento reuniu lideranças tucanas e reforçou a pressão interna para que o partido tenha candidatura própria à Presidência. O nome de Ciro surge como uma tentativa de reposicionar o PSDB no cenário nacional.

No entanto, o próprio Ciro freia a expectativa — entre a disposição de disputar e o desgaste acumulado de quatro campanhas presidenciais.

O que está em jogo
Mais do que uma decisão eleitoral, o momento expõe um dilema:

  • Ciro nacional, tentando novamente romper a polarização
  • ou Ciro regional, buscando reconstrução política no Ceará

Por ora, ele mantém os dois caminhos abertos — enquanto testa sua viabilidade política e o apetite do eleitorado.

E deixa no ar a síntese do próprio impasse: “O Brasil precisa de uma alternativa. Agora, eu não sei se sou eu.”

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