Inflação e a crise de mão de obra

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Por: Vandi Monteiro, especialista em estratégia empresarial e sócio-fundador da UP7 Gestão

“Ninguém mais quer trabalhar” você provavelmente já escutou isso nos últimos meses, mas qual o motivo disso?

Essa é apenas a opinião de um consultor que vem observado e participando do mercado há 12 anos, não estou falando de ideologias ou romantizando crises culturais, mas existe uma visão esquecida nesse cenário.

O que se compra com um salário mínimo nos dias de hoje? Qual a dignidade possível para uma família com renda de dois salários?

Com a inflação real massacrando a sociedade o custo de vida disparou e o que já era quase impossível se tornou pior, sobreviver com o mínimo. Mas o que isso impacta na crise de mão de obra?

Com a desvalorização do real a maioria esmagadora das vagas de trabalho, aquelas que pagam próximo ao salário mínimo, se tornaram muito pouco atrativas simplesmente porque não se vive mais com isso, junto a isso os programas de assistência social impedem que você receba o auxilio se estiver trabalhando como CLT, ou seja o cenário esta empurrando a grande massa de trabalho para a informalidade e gerando uma crise de mão de obra.

Isso é preocupante porque as empresas terão que gradativamente aumentar os salários, mas esse custo será repassado para o consumidor final, esse repasse vai aumentar a inflação e assim por diante, afinal o salário aumentou não pela capacitação ou valor agregado, mas simplesmente porque nossa moeda esta valendo cada vez menos.

Qual a saída? Eficiência. As empresas vão ter que prender a gerir melhor suas contas, calibrar suas margens, negociar melhor suas compras, utilizar mais tecnologia e otimizar a gestão de recursos humanos.

No fim do dia todos saímos perdendo, o que podemos fazer é trabalhar mais e melhor enquanto observamos um jogo de poder que nos deixa nesse circuito de crise.

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