Fundações e associações sem fins lucrativos pagam salários 12% maiores que empresas, aponta IBGE

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Marcello Casal JrAgência Brasil

O fato: fundações privadas e associações sem fins lucrativos pagaram, em 2023, salários médios mais altos do que as empresas no Brasil. Trabalhadores dessas instituições receberam, em média, R$ 3.630,71, o equivalente a 2,8 salários mínimos, enquanto nas empresas privadas a média foi de 2,5 salários mínimos. No mesmo ano-base, o salário mínimo médio foi de R$ 1.314,46.

Contexto: tanto o setor sem fins lucrativos quanto o empresarial ficaram abaixo da administração pública, que registrou remuneração média de quatro salários mínimos. Os números fazem parte de levantamento divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com base no Cadastro Central de Empresas (Cempre).

O estudo traça um panorama das fundações privadas e associações sem fins lucrativos (Fasfil), universo que inclui entidades comunitárias, religiosas, educacionais e de saúde, mas exclui sindicatos, partidos políticos, condomínios e órgãos paraestatais, como o Sistema S.

O tamanho do setor: entre 2022 e 2023, o número de Fasfil cresceu 4%, passando de 573,3 mil para 596,3 mil organizações. Esse conjunto representa 5% do total de organizações existentes no país. As instituições empregaram 2,7 milhões de pessoas, cerca de 5,1% dos trabalhadores, e responderam por 5% da massa salarial nacional.

Ranking salarial (em salários mínimos):

  • Administração pública: 4,0
  • Fundações privadas e associações: 2,8
  • Entidades sem fins lucrativos: 2,6
  • Entidades empresariais: 2,5
  • Média total dos trabalhadores: 2,8

Detalhes: pouco mais de um terço das Fasfil atua como entidade religiosa (35,3%), seguido por cultura e recreação, defesa de direitos, associações patronais, assistência social e educação. Na força de trabalho, a saúde concentra 41,2% dos ocupados, com cerca de 1,1 milhão de pessoas, seguida por educação e pesquisa (27,7%) e assistência social (12,7%).

As mulheres representam 68,9% dos assalariados das Fasfil, proporção bem acima da média do mercado de trabalho. Na educação infantil, chegam a 91,7%. Ainda assim, recebem 19% menos que os homens, repetindo a desigualdade observada no conjunto da economia.

Para o IBGE, os dados reforçam o peso econômico e social das fundações e associações sem fins lucrativos, que complementam ações do poder público em áreas estratégicas como saúde, educação, assistência social, defesa de direitos e meio ambiente, com impacto relevante na geração de renda e na estrutura do mercado de trabalho brasileiro.

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