
“Nenhum homem nessa terra é república, nem zela nem trata do bem comum, senão cada um trata do particular”, frei Vicente do Salvador – “História do Brasil”, 1627
Por Paulo Elpidio de Menezes Neto
Somos um país aprisionado pelo otimismo e/ou, quiçá, pela esperança. Já demos, no passado, maior credibilidade às palavras da Revelação cristã, agora compartilhada com arroubos pentescostais, embora carecidos da segurança teológica necessária, vamos combinar.
Começamos, vencidos pela atração do desconhecido, a considerar, em homenagem às matrizes étnicas que nos deram origem, o universo das representações e entidades africanas e das nossas populações originárias.
Somos boa gente, posso lhes garantir, tirante a violência congênita que trazemos no sangue, recolhida das nossas raízes próximas e remotas — as matrizes de uma miscigenação movida pelo intercurso de várias etnias. Estamos a mexer no caldeirão de DNA e de genomas recalcitrantes às nossas crenças e persignações, na construção da nossa “brasilidade”.
Das explicações que nos foram dadas sobre a usinagem de uma civilização tropical, estamos a remoer sobre o que nos disseram frei Vicente do Salvador, o padre Antônio Vieira, o conde Afonso Celso, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Raimundo Faoro. Cortejamos essas doutas assertivas com o pensamento crítico de Lula da Silva, ansiosos por encontrar alguma brecha para o entendimento de verdades requalificadas e — por que não dizer? — resignificativas, sobre esta República das Bruzundangas.
De um dia para o outro, trouxemos à bacia das nossas especulações mais eruditas o conceito da “Armação de Tucídides”. Desta “armação”, Tucídides construíra a ideia do choque das soberanias nacionais com a ordem internacional. Do crescimento de uma potência emergente como desafio a uma potência dominante, tipo Esparta versus Atenas, Alemanha versus Reino Unido e Brasil versus Estados Unidos…
Aposentamos antigas presunções sobre conceitos considerados ultrapassados e lhes conferimos uma segura ambiguidade para a pacificação dos contraditórios diplomáticos.
O entendimento sobre a Soberania foi um deles: surge como faca de dois gumes. Serve como gravame para a condenação de um “inimigo externo” e, ao mesmo tempo, de “inimigos internos”, segundo patrióticas conveniências. Serve, também, para a condenação de alianças e decisões das quais não pretende participar.







