
O fato:
A queda nas exportações cearenses para os Estados Unidos pode ser parcialmente revertida após mudanças na política tarifária norte-americana. A expectativa do setor industrial é de recuperação gradual da competitividade dos produtos do Estado no principal mercado internacional.
Dados da Federação das Indústrias do Ceará indicam que os Estados Unidos responderam por 44,9% das exportações do Ceará em 2024. Em 2025, a participação ficou próxima de 43%, mas recuou para 37% em janeiro de 2026, em meio ao endurecimento das tarifas comerciais aplicadas pelo país.
Setor de pescados foi o mais impactado:
Entre os segmentos mais afetados está o de pescados, um dos principais itens da pauta exportadora cearense. Segundo Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria da Fiec, as vendas para o mercado norte-americano caíram cerca de 70% no início deste ano.
Mudança no cenário tarifário:
O ambiente começou a mudar após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegal o conjunto de sobretaxas comerciais adotado durante o governo de Donald Trump. A política anterior poderia elevar o impacto tarifário a até 40% sobre produtos importados de países como Brasil e Índia.
Mesmo com a decisão judicial, o governo norte-americano anunciou tarifa geral de 10% sobre importações, posteriormente elevada para 15%. Para a indústria cearense, a nova cobrança tende a reduzir perdas relativas, ao atingir concorrentes internacionais de forma mais uniforme.
Setores que podem se beneficiar:
Além do segmento pesqueiro, setores como calçados e minerais também podem registrar melhora no acesso ao mercado americano.
Por outro lado, o Instituto Aço Brasil informou que permanece em vigor a tarifa de 50% sobre exportações de aço, o que limita impactos positivos para o setor siderúrgico.
Efeitos graduais:
Apesar da mudança no ambiente comercial, os efeitos não devem ser imediatos. Empresas norte-americanas podem ter firmado contratos com fornecedores alternativos durante o período de sobretaxas mais elevadas.
A expectativa do setor industrial é que eventuais reflexos apareçam ao longo dos próximos meses. Caso não ocorram novas alterações nas regras comerciais internacionais, a projeção é de recuperação gradual do saldo exportador cearense em 2026.






