
Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) acendem um alerta incontornável. O levantamento revela que 45% das meninas já pensaram em se automutilar, enquanto mais de 30% dos adolescentes relatam tristeza ou desesperança frequentes e 1 em cada 5 jovens não tem com quem conversar sobre seus problemas. Não se trata de casos isolados, mas de uma realidade que exige resposta pública.
Esses números traduzem um sofrimento concreto que já está dentro das escolas. Por isso, é preciso reconhecer a escola como espaço de formação integral — de ensino, mas também de acolhimento e escuta.
Foi com essa compreensão que apresentamos o projeto de lei que institui o apoio psicossocial nas escolas do Ceará, já aprovado pela Assembleia Legislativa. Um passo importante, baseado em um princípio simples: não há aprendizagem possível onde há sofrimento silenciado.
A iniciativa garante acompanhamento psicológico e social no ambiente escolar, fortalecendo a prevenção e o cuidado com nossos estudantes. É a integração entre educação e proteção.
O desafio agora é fazer a lei avançar em todo Ceará , com estrutura, profissionais e articulação com a rede de saúde.
Os dados são claros. A resposta também precisa ser. Cuidar da saúde mental da juventude é afirmar, na prática, o presente que queremos construir.
Acrisio Sena
Ex-presidente do Centec, deputado estadual e historiador.







