
Desigualdade precoce: Crianças de famílias mais pobres já chegam ao fim da pré-escola com desempenho significativamente inferior ao das mais ricas, segundo estudo da OCDE. A diferença aparece antes mesmo do início da alfabetização.
Resultados: Na avaliação de literacia, crianças mais pobres tiveram média de 487 pontos, enquanto as mais ricas alcançaram 521, uma diferença de 34 pontos. Em numeracia, o gap é ainda maior: 429 pontos entre as mais pobres contra 484 entre as mais ricas, distância de 55 pontos.
Brasil no estudo: O levantamento faz parte do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância e avaliou 2.598 crianças em São Paulo, Ceará e Pará, dentro de um universo global de 25 mil participantes.
Média geral: O Brasil ficou próximo da média internacional em literacia, com 502 pontos (ante 500), mas abaixo em numeracia, com 456 pontos.
Efeitos acumulativos: O estudo aponta que desigualdades sociais não atuam isoladamente, elas se somam. Crianças de menor renda, pretas, pardas, indígenas e meninos tendem a enfrentar mais dificuldades desde cedo.
Habilidades básicas: Entre crianças mais ricas, 80% reconhecem números aos cinco anos, contra 68% entre as mais pobres. Já a compreensão de operações simples (como soma e subtração) atinge 42% das mais ricas e apenas 26% das mais pobres.
Ambiente familiar: A pesquisa também mostra diferenças no estímulo em casa. Apenas 9% das famílias mais pobres leem frequentemente para as crianças, ante 24% entre as mais ricas. Atividades como cantar, ler e conversar são mais comuns em lares de maior renda.
Alerta: O estudo indica que a desigualdade educacional começa antes do ensino fundamental e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à primeira infância para reduzir impactos ao longo da vida escolar.






