
O ex-ministro Ciro Gomes marcou para o próximo sábado, 16, o evento convocado para oficializar sua pré-candidatura ao Governo do Ceará. A movimentação recoloca o tucano no centro da política estadual quase quatro décadas depois de sua histórica eleição ao Palácio da Abolição, em 1990.
“Você tem um encontro marcado com a história. No Conjunto Ceará, a partir das 9h”, escreveu Ciro nas redes sociais ao divulgar o convite para o ato político que ocorrerá no Centro Educacional Evandro Ayres de Moura.
A escolha do Conjunto Ceará carrega forte simbolismo político. O bairro foi decisivo na apertada vitória de Ciro Gomes na eleição para a Prefeitura de Fortaleza, em 1988, quando iniciou sua ascensão meteórica na política nacional. Desde então, o local se tornou uma espécie de território simbólico das grandes largadas eleitorais do ex-governador ou de aliados muito próximos.
Caso confirme a candidatura, Ciro disputará o Governo do Ceará 36 anos após sua vitória histórica contra Paulo Lustosa, em uma eleição que marcou o enfrentamento contra os antigos grupos que se relacionavam com o que ficou conhecido como a era dos coronís da política cearense. Naquele pleito, foi eleito com cerca de 54% dos votos.
A última vez que Ciro participou de uma eleição exclusivamente no âmbito estadual ocorreu em 2006, quando foi eleito deputado federal com votação expressiva. Naquele ano, obteve impressionantes 16% dos votos válidos no Ceará, na mesma eleição que levou Cid Gomes ao Governo do Estado.
Seu último cargo público foi como secretário da Saúde do Ceará entre 2013 e 2014, na reta final da gestão de Cid Gomes como governador do Ceará.
Nos últimos meses, Ciro vinha mantendo em aberto a possibilidade de disputar a Presidência da República pelo PSDB, após convite feito pelo deputado federal Aécio Neves. Apesar disso, o cenário político cearense acabou prevalecendo nas articulações da oposição estadual.
Em discurso recente durante a posse de Roberto Cláudio na presidência do União Brasil Fortaleza, Ciro admitiu que estava “cada dia mais inclinado” a disputar o Governo do Ceará, embora afirmasse não ter abandonado completamente o projeto nacional.
“Eu não tiro o Brasil da cabeça”, declarou à época, ao lembrar os anos dedicados à preparação para uma candidatura presidencial.
A publicação do convite nas redes sociais mobilizou aliados históricos e lideranças da oposição cearense. Entre os que manifestaram apoio estão Roberto Cláudio, o ex-prefeito José Sarto, o vereador PP Cell e o ex-reitor da UFC Cândido Albuquerque.
Análise Focus Poder
O retorno de Ciro Gomes ao tabuleiro estadual reposiciona completamente a eleição de 2026 no Ceará. A entrada do ex-governador tende a nacionalizar o debate político local, elevando o tom da disputa e reorganizando os campos de oposição e governo. Nos últimos 30 dias, o nome de Ciro ficou na ribalta nacional com a pressão do PSDB nacional para que ele disputasse a eleição de presidente. Se houve alguma expecativa de que uma pesquisa com bons resultados estimulasse Ciro a aceitar, não foi o que aconteceu.
Mais do que uma candidatura convencional, Ciro tenta reconstruir uma narrativa política conectada à memória de sua ascensão popular no fim dos anos 1980. O simbolismo do Conjunto Ceará aponta exatamente nessa direção: recuperar a imagem do político insurgente, combativo e associado às periferias urbanas.
A eventual candidatura também encerra, ao menos temporariamente, a longa especulação sobre mais uma corrida presidencial. Ao optar pelo Ceará, Ciro reconhece que seu maior capital político continua concentrado no Estado onde construiu sua trajetória.
A disputa de 2026 tende a ter um componente geracional importante. Ciro retorna ao cenário estadual em um ambiente político profundamente diferente daquele que encontrou em 1990: redes sociais, fragmentação partidária, polarização nacional e novas lideranças mudaram radicalmente a dinâmica eleitoral.
Ainda assim, poucos nomes na política cearense carregam um peso histórico comparável ao de Ciro Gomes. Seu retorno transforma a eleição estadual em uma das mais relevantes e imprevisíveis do país.






