Governo veta projeto que reconheceria estágio como experiência profissional

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O fato: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou o projeto de lei que previa o reconhecimento do estágio como experiência profissional para estudantes. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (11) no Diário Oficial da União e agora será analisada pelo Congresso Nacional, que poderá manter ou derrubar o veto.

Proposta alterava Lei do Estágio: O texto aprovado pelo Congresso alterava a Lei do Estágio, de 2008, para permitir que atividades realizadas durante a formação acadêmica fossem contabilizadas como experiência profissional, inclusive para fins de concursos públicos.

Segundo o governo, a medida foi vetada por contrariar o interesse público ao “desnaturar o caráter pedagógico complementar à formação educacional do estágio”.

Risco jurídico e perda do caráter educacional: Na justificativa encaminhada ao Legislativo, o Palácio do Planalto também argumentou que o projeto apresentava inconstitucionalidade ao atribuir de forma ampla ao poder público a regulamentação da matéria.

De acordo com o governo, isso poderia violar a autonomia dos entes federativos e a separação entre os Poderes.

O veto teve parecer favorável do Ministério da Educação, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e da Advocacia-Geral da União.

O que previa o projeto aprovado no Congresso: A proposta, aprovada pelo Senado em abril após passar pela Câmara dos Deputados, estabelecia que o estágio poderia ser reconhecido como experiência profissional formal.

O texto também previa que o poder público definiria regras para o uso desse período em concursos públicos, inclusive como critério de pontuação ou comprovação de experiência.

Debate envolve mercado de trabalho e concursos públicos: O projeto foi apresentado pelo deputado Flávio Nogueira, que defendia a medida como forma de facilitar o acesso de jovens ao mercado de trabalho.

Segundo ele, a exigência de experiência prévia cria barreiras para o primeiro emprego, especialmente entre jovens de 18 a 24 anos.

Durante a tramitação, a senadora Damares Alves relatou a proposta no Senado e destacou que alguns concursos já aceitam estágios supervisionados como títulos em áreas específicas.

Por outro lado, críticos argumentaram que o estágio tem natureza educacional e supervisionada, distinta de vínculos formais de trabalho.

Próximos passos: Com o veto presidencial, caberá agora ao Congresso Nacional analisar a decisão. Os parlamentares poderão manter o veto ou derrubá-lo, o que definiria se o estágio poderá ou não ser reconhecido como experiência profissional.

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